28 de Maio de 2015 / às 19:35 / 2 anos atrás

Blatter rejeita pedidos de renúncia da Fifa; escândalo divide associações

Presidente da Fifa, Joseph Blatter, faz discurso em Congresso em Zurique. 28/5/2015.Arnd Wiegmann

ZURIQUE (Reuters) - As acusações de corrupção que se abateram sobre a Fifa cobriram o futebol de vergonha e humilhação, disse o presidente da entidade, Joseph Blatter, nesta quinta-feira, embora tenha rejeitado categoricamente os pedidos para que renuncie em função do escândalo.

Diante da pior crise da Fifa em seus 111 anos de história,

Michel Platini, presidente da Uefa, contou ter dito a Blatter para sair “com lágrimas nos olhos”, mas que o dirigente de 79 anos se recusou.

“Eu disse ‘estou pedindo que você saia, a imagem da Fifa está terrível’. Ele disse que não pode sair de repente”, declarou o ex-jogador francês Platini aos repórteres.

Em discurso na abertura do Congresso da Fifa em Zurique, Blatter afirmou que a turbulência dos últimos dois dias, que incluiu a prisão de dirigentes do futebol em um luxuoso hotel na Suíça – entre eles o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin – causou “vergonha e humilhação” ao futebol mundial.

Em sua primeira aparição pública desde os acontecimentos dramáticos da quarta-feira, desencadeados por uma investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre alegações de suborno desenfreado, Blatter disse não haver espaço “para corrupção de nenhum tipo”.

“Os eventos de ontem eclipsaram o futebol e este Congresso”, declarou Blatter, que concorre a um quinto mandato como presidente da Fifa na eleição de sexta-feira, na qual o príncipe jordaniano Ali bin Al Hussein é seu único adversário.

Ignorando os pedidos de renúncia, Blatter disse: “Sei que muitas pessoas me consideram responsável em última instância... (mas) não posso monitorar cada um o tempo todo. Se as pessoas querem fazer algo errado, também tentarão escondê-lo”.

Platini disse que 45 ou 46 das 53 associações filiadas à Uefa votarão no príncipe Ali.

Mas parece que o atual mandatário ainda controla um número suficiente das 209 associações nacionais da Fifa para garantir uma vitória.

Blatter aparentou confiança apesar da operação de policiais à paisana na madrugada de quarta-feira que resultou na custódia de sete dos dirigentes mais importantes do esporte, que podem ser extraditados aos EUA sob acusações de corrupção.

Todos eles estão questionando a extradição, mas advogados dizem que o processo pode ser finalizado dentro de alguns meses.

As autoridades suíças também anunciaram uma investigação criminal sobre a atribuição das próximas duas Copas do Mundo, marcadas para a Rússia em 2018 e o Catar em 2022.

Autoridades dos EUA disseram que nove dirigentes do futebol e cinco executivos de marketing e mídia esportiva estão sendo acusados de corrupção envolvendo mais de 150 milhões de dólares em subornos.

Tanto Catar quanto Moscou negaram quaisquer insinuações de irregularidades em relação às suas campanhas para sediar um dos maiores eventos esportivos do mundo, e o presidente russo, Vladimir Putin, acusou os EUA nesta quinta-feira de interferirem na tentativa de evitar um novo mandato para Blatter.

"Esta é mais uma flagrante tentativa de estender a sua competência a outros Estados”, disse Putin, acrescentando que a Rússia continua a apoiar a reeleição de Blatter.

    Diante das divisões que surgem na modalidade, as confederações asiáticas e africanas apoiaram Blatter para presidente, enquanto as nações ocidentais pedem que ele saia.

CONGRESSO

O Congresso da Fifa começou formalmente na tarde desta quinta-feira. As questões mais sérias estarão em pauta na manhã de sexta-feira na arena Hallenstadion de Zurique, onde em 2010 foi feito o anúncio da escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022 – decisões que estão no cerne de grande parte da crise atual da Fifa.

Enquanto isso, os principais patrocinadores da Fifa, incluindo muitos que têm apoiado solidamente a entidade apesar de quase 20 anos de alegações de suborno e corrupção, parecem estar inesperadamente preocupados com o desenrolar dos acontecimentos em Zurique.

Em um comunicado contundente, algo raro para a empresa, a Visa afirmou: "É importante que a Fifa faça mudanças agora, para que o foco permaneça sobre essas mudanças. Se a Fifa não fizer isso, nós informamos que vamos reavaliar nosso patrocínio."

A empresa alemã de artigos esportivos Adidas assinalou que a Fifa deveria fazer mais para estabelecer padrões de conformidade transparentes. A Anheuser-Busch InBev, cuja marca Budweiser é patrocinadora da Copa do Mundo de 2018, informou que está monitorando de perto os desdobramentos na Fifa.

A Coca-Cola Co, outra patrocinadora da Fifa, disse que as acusações tinham "manchado a missão e os ideais da Copa do Mundo da Fifa e temos repetidamente expressado nossas preocupações sobre essas graves alegações".

No Rio de Janeiro, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) retirou o nome "José Maria Marin" da fachada de sua sede na zona oeste da cidade um dia após a prisão do ex-presidente da entidade na Suíça.

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