Petrobras precisará desinvestir mais nos próximos anos, diz Wood Mackenzie

segunda-feira, 8 de junho de 2015 14:55 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os preços internacionais do petróleo nos atuais patamares apertam o fluxo de caixa da Petrobras e deverão exigir vendas de ativos maiores do que as planejadas pela companhia para o biênio 2015/2016, disse nesta segunda-feira um diretor da renomada consultoria do setor de energia Wood Mackenzie.

A Petrobras precisaria de um preço de petróleo acima de 85 dólares por barril para não precisar recorrer a novos endividamentos ou a vendas maiores, avaliou o diretor da Wood Mackenzie para a América Latina, Eric Eyberg, após apresentação no Gas Summit, no Rio de Janeiro.

Nesta segunda-feira, o barril do petróleo Brent, referência para o setor, era negociado perto de 62 dólares.

No início do mês, a Petrobras emitiu títulos no valor de 2,5 bilhões de dólares, com vencimento em 100 anos, na primeira investida da companhia no mercado internacional de capitais desde o estouro da Operação Lava Jato. Além disso, fechou recentemente acordos para acessar linhas de crédito bilionárias em bancos chineses.

A Petrobras anunciou recentemente planos de desinvestir quase 14 bilhões de dólares entre 2015 e 2016.

A Wood Mackenzie prevê que os preços do petróleo registrem média de 60 dólares por barril neste ano, 68 dólares em 2016 e 83 dólares em 2017.

"Por isso estamos vendo a Petrobras indo a mercado. Vemos o programa de desinvestimento, que nós temos a expectativa de que ainda vai ser maior do que é hoje, não somente os 13,7 bilhões de dólares, nos próximos anos", afirmou, sem especificar um prazo para eventuais desinvestimentos adicionais.

O plano de desinvestimento anunciado pela Petrobras considera apenas o horizonte do biênio 2015 e 2016, enquanto o executivo acredita em números maiores em mais tempo, dependendo ainda de fatores mercadológicos futuros.

A grande mudança de patamar de preços do petróleo, que estavam acima dos 100 dólares por barril em meados de 2014, prejudicou companhias em todo mundo, lembrou Eyberg.   Continuação...