ESTREIA-História real que inspirou "Moby Dick" ganha contornos épicos na aventura "No Coração do Mar"

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015 20:46 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - “Chamai-me Thomas” não é, mas caberia muito bem como a primeira fala em “No Coração do Mar” (2015), novo filme de Ron Howard que leva às telas do cinema o caso real que inspirou as páginas escritas por Herman Melville em sua obra-prima “Moby Dick” (1851).

O fato de grande parte da produção seguir o ponto de vista de Thomas Nickerson, um dos sobreviventes do naufrágio do baleeiro Essex em 1820, seria a razão mais lógica para citar a frase inicial tida como a mais famosa da literatura, segundo alguns especialistas.

Contudo, tal qual o escritor apresentou categoricamente seu narrador como Ismael, envolto em referências bíblicas ao filho ilegítimo de Abraão para compor a simbologia de um homem selvagem e rejeitado, que acompanha a vida em uma Arca de Noé da Humanidade, o cineasta usa a figura do órfão, cujo nome tem origem no apóstolo incrédulo do Evangelho, como interlocutor de uma história que beira a fantasia para alcançar o âmago de questões humanas sempre urgentes.

Charles Leavitt, roteirista de “Diamante de Sangue” (2006), adapta o premiado livro homônimo de Nathaniel Philbrick, publicado em 2000, que detalha os acontecimentos vividos pela tripulação do Essex.

Seu roteiro, porém, cria um fictício – ao que tudo indica – encontro de Melville (Ben Whishaw, o Q dos últimos “007”) e Nickerson (interpretado nesta parte por Brendan Gleeson, e nas recordações por Tom Holland) para introduzir claramente a ligação entre o naufrágio real e o ficcional.

Na realidade, o autor utilizara os relatos de outro sobrevivente retratado no longa como uma das fontes de inspiração para a sua obra, entre elas sua própria experiência em um baleeiro.

Mas se engana quem espera ver a mesma obsessão do capitão Ahab comandando as ações da embarcação, como lida no clássico ou vista no longa de John Huston de 1956; pelo menos a princípio. Howard volta a trabalhar com a rivalidade entre dois homens, que lhe foi cara em “Rush – No Limite da Emoção” (2013), contrapondo a diferença social, de personalidade e pensamentos, mas que ganha um viés ainda mais trágico aqui com a ambição de ambos.

Mais conhecido como intérprete do heroi Thor, Chris Hemsworth aqui atua como o imediato Owen Chase, filho de um pária que espera dar uma vida melhor a sua mulher (Charlotte Riley) e o futuro bebê a nascer, tornando-se capitão.

No entanto, a nomeação de George Pollard (Benjamin Walker, de “Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros”), membro de uma poderosa família de Nantucket, ilha do Massachusetts que se especializou na caça e comércio de óleo de baleia, atrapalha seu sonho de estar à frente da próxima expedição.   Continuação...