Irmão de Rizwan Farook, autor de atentado na Califórnia, é militar condecorado

terça-feira, 8 de dezembro de 2015 16:31 BRST
 

SAN BERNARDINO, EUA (Reuters) - Um irmão era festeiro e namorador. Depois de concluir o segundo grau, motivado pelo que via como seu dever patriótico, ele se alistou na Marinha e recebeu duas medalhas em reconhecimento às suas contribuições à "guerra global ao terror".

O outro era profundamente religioso e se tornou cada vez mais intolerante, chegando ao ponto de desenvolver um ódio que o levou, ao lado da esposa, a abrir fogo durante uma festa de feriado na cidade norte-americana de San Bernardino, na Califórnia, na semana passada, o que policiais classificaram como um atentado terrorista.

Syed Raheel Farook e seu irmão caçula, Syed Rizwan Farook, cresceram na mesma casa, frequentaram a mesma escola com dois anos de diferença e, na adolescência, muitas vezes andavam com os mesmos grupos. Mas, à medida que envelheceram, tomaram rumos distintos.

Rizwan agora está morto, tendo sido abatido a tiros pela polícia do sul da Califórnia depois de matar 14 pessoas e ferir 21 com a ajuda da esposa. Raheel está vivo e se pergunta o que deu errado.

As vidas contrastantes dos irmãos Farook, descritas por amigos, vizinhos e ex-colegas de classe que conheceram ambos, formam uma história perturbadora, em parte por haver tão poucas pistas da razão de os dois terem se tornado tão diferentes.

A família, incluindo Raheel, recusou vários pedidos de comentários à reportagem, feitos por meio de seus advogados, mas aqueles que conheciam os irmãos dizem que já no ensino médio as diferenças entre os dois eram visíveis e só aumentavam.

"A maioria das pessoas aqui vai a mesquitas para agradar os pais", contou Shakib Ahmed, que frequentava uma com os Farooks.

    Raheel, o irmão mais velho, era esse tipo de garoto, afirmou. Ele comparecia às preces de sexta-feira, mas também gostava de beber e, na época do segundo grau, tinha uma namorada que não era muçulmana.

    Rizwan era mais quieto e mais sério – e muito mais religioso. Segundo os amigos, ele só perdia a paciência com o irmão mais velho.

"Ele era legal com todas as outras pessoas, mas era do tipo dominador. Ele gritava com o irmão", disse Ahmed.

(Por Edward McAllister e Yasmeen Abutaleb)

 
Syed Rizwan Farook em foto de arquivo divulgada pelo FBI.   4/12/2015.  REUTERS/Divulgação