Ajuda da Otan à Turquia busca evitar confronto com Rússia, diz fonte

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015 11:28 BRST
 

Por Paul Taylor e Robin Emmott

BRUXELAS (Reuters) - A Otan planeja enviar apoio de defesa aérea para a Turquia, em parte para minimizar o risco de militares do país derrubarem outro avião de guerra russo e, ao mesmo tempo, mitigar a preocupação turca de um transbordamento do conflito na Síria, disseram altas fontes da aliança militar ocidental.

A missão, que deverá ser aprovada pelo conselho da aliança de defesa ocidental na sexta-feira, está sendo preparada há dez meses, muito antes do incidente com a Rússia, e o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse que não há conexão com o abate do avião.

Mas fontes da Otan afirmam que a derrubada do bombardeiro deu impulso aos aliados para se prontificarem a dar mais apoio e assistência para reduzir a tensão entre a Rússia e a Turquia, assumindo um papel na gestão do espaço aéreo turco.

"As normas de engajamento da Otan são mais cautelosas do que as da Turquia", disse uma fonte.

Embora a aliança liderada pelos Estados Unidos tenha apoiado publicamente a Turquia após seus caças derrubarem um bombardeiro russo que entrou em seu espaço aéreo, vindo da Síria, em 24 de novembro, no primeiro incidente do tipo desde a Guerra Fria, em privado vários aliados alarmados pediram moderação.

Um funcionário turco em Ancara disse que a Turquia e a Otan estavam procurando desenvolver um sistema pelo qual poderiam ser evitados problemas no espaço aéreo turco e da Otan, mas ainda era muito cedo para compartilhar detalhes.

Stoltenberg declarou que o fortalecimento das defesas aéreas da Turquia, que há muito manifestou preocupação com a guerra civil violenta perto da sua fronteira, é um compromisso definido bem antes da derrubada do avião russo.

O pacote, previsto para ser aprovado sem debate, inclui aeronaves de interceptação, aviões com Sistema Aéreo de Alerta e Controle (Awacs) e uma unidade marítima com navios de comando e fragatas com mísseis antiaéreos e antinavio.

A operação teráa dupla função de defender a Turquia e contribuir simultaneamente para uma campanha liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico no Iraque e Síria. Mas a presença da Otan também poderá servir como uma leve contenção à Turquia.

(Reportagem adicional de Orhan Coskun e Tulay Karadeniz em Ancara e Phil Stewart em Washington)

 
Secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, durante encontro em Bruxelas.    01/12/2015   REUTERS/Yves Herman