Dilma diz que mudança de equipe não implica abandono fiscal, mas quer urgência no crescimento

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015 20:15 BRST
 

Por Lisandra Paraguassu e Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira que a mudança na equipe econômica não significa abandono do ajuste fiscal, e acenou com reformas mais profundas, incluindo mudanças na Previdência e no sistema tributário, em discurso durante a posse dos novos ministros da Fazenda, Nelson Barbosa, e do Planejamento, Valdir Simão.

A substituição de Joaquim Levy por Barbosa no Ministério da Fazenda, anunciada na sexta-feira, foi entendida por agentes do mercado como uma sinalização de mudança da política econômica, com risco de abandono do esforço para reequilibrar as contas públicas. Com isso, o dólar fechou em alta de quase 2 por cento nesta segunda-feira, acima de 4 reais, enquanto o Ibovespa recuou para o menor patamar em mais de seis anos.

"A mudança na equipe econômica não altera os nossos objetivos de longo prazo, que são restabelecer o equilíbrio fiscal, reduzir a inflação, eliminar a incerteza e retomar com urgência o crescimento", afirmou a presidente durante a posse dos novos ministros.

"Perseguimos em 2015 uma estratégia de estabilização fiscal que continuará nos guiando nos próximos anos com metas realistas e transparentes."

Dilma deixou claro em seu discurso, contudo, a mudança de tom que busca ao trocar Levy por Barbosa. Mais de uma vez, reforçou a ideia de que o ajuste e o equilíbrio das contas do governo têm que caminhar juntos com a retomada do crescimento.

"Precisamos, contudo, ir além da tarefa de cortar gastos e colocar as contas em dia, estabelecendo prioridade também para retomada do crescimento e a construção de um ambiente de confiança favorável à ampliação dos investimentos e criação de empregos", disse.

Pouco antes, afirmara que "a tarefa dos ministros é contagiar de imediato a sociedade brasileira com a crença de que equilíbrio fiscal e crescimento econômico podem e devem vir juntos".

"Nossa política econômica deve ter duas vertentes de atuação complementares e simultâneas: o equilíbrio fiscal perenemente buscado e mantido, e o crescimento econômico", afirmou.   Continuação...

 
Presidente Dilma Rousseff durante discurso na cerimônia de posse do novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, em Brasília. 21/12/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino