Ex-presidente da Conmebol Figueredo confessa pagamentos a dirigentes para favorecer empresas

sábado, 26 de dezembro de 2015 15:58 BRST
 

MONTEVIDÉU (Reuters) - O ex-presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol Eugenio Figueredo, envolvido no caso de corrupção que abalou a Fifa, reconheceu que ele e outros dirigentes da entidade recebiam dinheiro de empresas de televisão para favorecê-las comercialmente, confirmaram à Reuters fontes próximas ao assunto.

"Esse é o movimento onde o promotor...entende que se configura o crime de lavagem de dinheiro e de fraude fundamentalmente", disse à Reuters o advogado Pablo Barreiro, que representa o sindicato de futebol do Uruguai.

Figueredo chegou ao Uruguai na quinta-feira depois de ser extraditado da Suíça, onde foi detido em maio. O também ex-dirigente da Fifa tinha uma causa aberta desde 2013 por uma demanda realizada pelo sindicato de futebol e vários quadros locais.

O ex-presidente da Conmebol disse que os presidentes das associações recebiam cifras importantes de empresas de televisão pela assinatura de contratos de direitos de transmissão, disse Barreiro. Depois de receber o dinheiro, se evitava a convocação de novos contratantes nos torneios organizados pela Conmebol.

Como exemplo, Figueredo indicou que os presidentes das associações que integram a Conmebol chegaram a receber 400.000 dólares da empresa Full Play Group, e que ele obteve um valor ainda mais elevado.

Figueredo também reconheceu que os presidentes da Conmebol recebiam salários mensais que não estavam nos balanços oficiais, prática que seria feita há décadas.

A Fifa vive uma crise depois que Estados Unidos e Suíça anunciaram investigações de corrupção que levaram à prisão de vários líderes do futebol latino-americano, incluindo o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol José Maria Marin.

Os Estados Unidos também solicitaram a extradição de Figueredo, mas a Suíça optou por aceitar o pedido do país de origem do dirigente. A Justiça uruguaia o indiciou por fraude e lavagem de dinheiro, mas ele foi transferido na sexta-feira da prisão para o hospital por uma descompensação.

(Reportagem de Matthias Larramendi)