Dilma diz que pode "gastar menos" com estímulos se houver retomada da economia

segunda-feira, 22 de setembro de 2014 12:14 BRT
 

(Reuters) - A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, afirmou em entrevista exibida nesta segunda-feira que o país pode "gastar menos" para proteger o emprego e o salário se houver uma retomada do crescimento, mas que manterá os estímulos econômicos enquanto a crise internacional for grave.

Em entrevista ao Bom Dia Brasil, da TV Globo, Dilma reiterou os ataques a propostas de sua principal adversária, a candidata Marina Silva (PSB), especialmente sobre o papel dos bancos públicos e do Banco Central, e disse que não sabia das irregularidades na Petrobras, ao ser questionada sobre as denúncias de corrupção, mas garantiu que o desempenho da empresa não está sendo afetado pelas investigações.

Mais uma vez, Dilma usou a crise internacional para justificar o fraco desempenho da economia do país, que entrou em recessão técnica, e ressaltou a manutenção do emprego e valorização do salário mínimo durante seu governo.

"Nós estamos numa situação em que o Brasil está na defensiva em relação à crise internacional, protegendo emprego, salário e investimentos", disse Dilma na entrevista gravada no domingo e exibida nesta manhã.

"Por que nós protegemos isso? Porque vamos apostar numa retomada. Na retomada, às vezes muda a sua política econômica de defensiva para ofensiva, e como se faz isso? Se faz de duas formas: eu posso na retomada gastar menos do que estou gastando para sustentar emprego, salário e investimento", afirmou.

Questionada se sua fórmula para recuperar o crescimento da economia seria diminuir os estímulos, a presidente afirmou: "Não, mas eu vou manter os estímulos enquanto a crise for grave."

Nos últimos anos, o governo tem feito fortes desonerações tributárias para tentar estimular a economia, como redução de impostos para veículos e móveis, o que acaba afetando a arrecadação. Só no primeiro semestre deste ano, essas desonerações somaram cerca de 51 bilhões de reais, quase 45 por cento a mais do que em igual período de 2013.

Na entrevista, Dilma disse ainda que uma mudança na política econômica está vinculada a uma eventual recuperação da economia nos Estados Unidos.

"Nós achamos que a gente tem de ver como evolui a crise... Os Estados Unidos evoluindo bem, acho que o Brasil pode entrar numa outra fase, que precisa menos estímulos, pode ficar mais entregue à dinâmica natural da economia e pode perfeitamente passar para uma retomada", afirmou.   Continuação...

 
Presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, durante coletiva de imprensa no Palácio da Alvorada, em Brasília. 19/09/2014. REUTERS/Ueslei Marcelino