COLUNA-Apoio formal do PSDB é bom negócio para Marina num 2º turno?

quinta-feira, 25 de setembro de 2014 13:22 BRT
 

(O autor é editor-chefe do Serviço Brasileiro da Reuters. As opiniões expressas são do autor do texto)

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO (Reuters) - O provável apoio que a candidata à Presidência Marina Silva (PSB) deverá ter do agora rival PSDB em um provável segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff (PT) não trará apenas dividendos para a ex-senadora.

Com ou sem o apoio formal do PSDB na etapa final da corrida presidencial, Marina tende a herdar uma parcela relevante dos votos que irão no primeiro turno para o tucano Aécio Neves.

Os eleitores cativos do PSDB querem tirar os petistas de Brasília a qualquer custo, assim é natural esperar que muitos deles votem no oponente de Dilma nas urnas em 26 de outubro, seja ele quem for. Ao mesmo tempo, um apoio formal colocaria a máquina partidária do PSDB, muito maior e melhor organizada do que a do PSB, para trabalhar por Marina.

Por outro lado, o mesmo apoio formal do PSDB à Marina tem chance razoável de resultar em alguma perda de votos que a ex-senadora tem garantidos hoje, algo difícil de se quantificar a esta altura da campanha.

Muitos eleitores que antes estavam indecisos ou anulariam seu voto em meados de agosto, até a entrada da ex-senadora na disputa pelo Palácio do Planalto, viram em Marina uma alternativa real de mudança. Foi ela quem conseguiu se apropriar do desejo de mudança que foi expresso nas manifestações populares de junho e julho do ano passado.

Para parte desse público, que se mostra cansado da polarização entre PT e PSDB no poder, uma união formal de Marina aos tucanos representaria um vínculo dela com a "velha política" que a ex-senadora tanto critica, embora seu discurso seja o de que governará com "os homens bons" de todos os partidos, se for eleita.   Continuação...

 
Candidatos à Presidência Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) em debate na TV. 16/09/2014 REUTERS/Paulo Whitaker