Dólar sobe quase 2% e encosta em R$2,43, com exterior e eleições

quinta-feira, 25 de setembro de 2014 17:19 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu quase 2 por cento e encostou em 2,43 reais nesta quinta-feira, turbinado por expectativas sobre o futuro das políticas monetárias dos EUA e da Europa e por preocupações sobre as eleições no Brasil.

Investidores compravam a moeda norte-americana em busca de proteção cambial antes da divulgação de novas pesquisas eleitorais nesta semana. Além disso, muitos testavam a tolerância do Banco Central à recente pressão no câmbio, que alimenta ainda mais a inflação.

O dólar avançou 1,95 por cento, a 2,4299 reais na venda, após bater 2,4312 reais na máxima do dia, maior nível intradiário desde 13 de fevereiro. A alta desta sessão foi a maior desde 5 de novembro de 2013, quando a divisa avançou 1,98 por cento.

"Há um movimento generalizado de alta do dólar que está respingando aqui", afirmou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, lembrando que o mercado há tempos vem se ajustando para alta nos juros nos Estados Unidos no próximo ano. "Não dá para sustentar um dólar barato com isso em mente".

No exterior, o dólar chegou a bater a máxima em quatro anos contra uma cesta de divisas, com investidores estimando que a política monetária da Europa se tornará mais expansionista, enquanto a dos EUA ficará mais apertada.

Apesar do alívio europeu, a perspectiva de que os juros devem subir já no ano que vem na maior economia do mundo, possivelmente atraindo recursos aplicados em outros países, tem golpeado moedas de países emergentes. O dólar também tinha forte alta contra moedas como o peso mexicano e o rand sul-africano.

No Brasil, a pressão externa vem junto com incertezas sobre as eleições presidenciais de outubro. A atual presidente Dilma Rousseff (PT), cuja condução da política econômica tem sido alvo de críticas nos mercados, tem ganhado força nas últimas pesquisas de intenção de voto e encostado em sua rival Marina Silva (PSB) em um esperado segundo turno das eleições.

Segundo analistas, investidores compravam dólares para se proteger da possibilidade de que Dilma avance ainda mais nas próximas pesquisas eleitorais. O próximo levantamento do Datafolha, que é atentamente monitorado pelo mercado, deve ser divulgado ainda nesta semana.   Continuação...