26 de Setembro de 2014 / às 00:13 / 3 anos atrás

ENTREVISTA-Marina estuda modelo de BC e reitera importância de não interferência

Candidata do PSB à Presidência Marina Silva concede entrevista à Reuters nesta quinta-feira. REUTERS/Sergio Moraes

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, afirmou que estão sob estudos vários modelos internacionais para se definir como implementar a institucionalização da independência do Banco Central, apresentada em seu programa e que vem sendo criticada pela presidente Dilma Rousseff (PT).

Em entrevista à Reuters nesta quinta-feira, uma cautelosa Marina evitou dizer se nomearia uma diretoria provisória do BC até conseguir a aprovação de uma lei para garantir a independência da autoridade monetária.

A ex-senadora e ambientalista, que critica o que considera interferência política do atual governo no BC, também não quis detalhar se o BC independente teria mandato para controlar apenas a inflação, como atualmente, ou também cuidaria de metas de crescimento ou emprego.

“Estamos discutindo a melhor forma de fazer isso, não vamos fazer nenhum tipo de aventura, temos tranquilidade”, afirmou Marina, no Rio de Janeiro. 

“O que nós queremos é recuperar a estabilidade da nossa economia, que o país volte a crescer, que diminua os juros. E vamos controlar a inflação”, afirmou.

A candidata disse que estão sob estudo diversos modelos internacionais e argumentou que não daria detalhes, porque poderia sofrer danos eleitorais.

“Queremos o melhor arranjo para o Brasil”, afirmou. “Estou sendo muito cuidadosa, porque meia frase que eu digo já vira a manchete que os adversários querem.”

“(A proposta) é boa também para os trabalhadores; um Banco Central que não tenha autonomia, que deixa a interferência política, muitas vezes por preocupações eleitorais, leva o nosso país a fazer com que o teto da meta (de inflação) vire o centro”, argumentou.

A proposta de independência do BC acabou no centro do debate eleitoral depois que Dilma, principal adversária de Marina, disse que isso representaria perda de poder para o povo e poderia dar mais poder ao sistema financeiro privado.

Na avaliação de petistas, os ataques à proposta de Marina serviram para recuperar terreno da presidente na corrida eleitoral.

Dos três principais candidatos na corrida presidencial, Marina foi a única a divulgar programa de governo e tem cobrado de Dilma e Aécio Neves (PSDB), terceiro nas pesquisas de intenção de voto, que também apresentem ao eleitor seus programas.

“COMITÊ DE BUSCA” PARA AGÊNCIAS

Marina também criticou a atual interferência política nas agências reguladoras e empresas estatais e disse que vai adotar “critérios éticos e técnicos”, caso seja eleita, para nomear pessoas para essas áreas.

“As agências foram tomadas pela lógica do fisiologismo político”, disse.

Em um eventual governo do PSB, Marina disse que criaria um “comitê de busca independente” para escolher os membros de agências reguladoras, mas não deixou claro se esse órgão seria externo ao governo e admitiu que as agências poderiam continuar a ter nomeações de políticos.

“Vamos fazer isso por um comitê de busca que se possa ter as melhores pessoas do próprio funcionalismo público, que se possa ter as melhores pessoas da academia, e até mesmo pessoas com trajetória política”, afirmou.

Diante da necessidade de investimentos nas áreas de infraestrutura, a candidata não mencionou a intenção de propor novos marcos regulatórios. Disse que pretende continuar fazendo concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs).

“Nós temos uma legislação que está sendo implementada, vamos dar uma eficiência ao que já está estabelecido e aperfeiçoar no que for necessário aperfeiçoar”, disse Marina.

FALAR DE 2º TURNO, SÓ NO 2º TURNO

A candidata, que chegou a ter 9 pontos de vantagem sobre Dilma nas simulações de segundo turno de pesquisa eleitoral, disse que a estratégia para a última semana de campanha é continuar dizendo a verdade sem utilizar o que chama de “marketing selvagem” dos adversários.

Apesar de ter perdido vantagem sobre Dilma, as duas candidatas aparecem ainda em empate na simulação de segundo turno, de acordo com a última pesquisa Ibope.

Marina não quis falar, no entanto, de possíveis alianças para alavancar sua candidatura num segundo turno.

“Segundo turno eu vou discutir no segundo turno”, disse. “Neste momento estamos fazendo uma luta de Davi contra Golias para ir para o segundo turno.”

E aproveitou para alfinetar Dilma, ressaltando que a base de sua aliança é o programa de governo, “diferentemente de quem troca aliança por tempo de televisão”.

GOVERNABILIDADE

Marina, que antes concorria ao cargo de vice na chapa liderada por Eduardo Campos, morto em um trágico acidente aéreo no dia 13 de agosto, afirmou que a campanha tem sido “uma luta e um luto”, mas avalia positivamente o desempenho. Ainda mais considerando os recursos e tempo de TV que possui e o fato de ter assumido a candidatura com a campanha já em andamento. 

    Ao ser perguntada sobre as dificuldades que poderá ter pela frente ao governar sem uma maioria no Congresso Nacional, Marina disse que se for eleita será “um grande feito histórico” capaz de mudar a mentalidade dos partidos e, com isso, atingir as metas propostas em seu programa de governo.

   “Uma coisa importante que vamos fazer é estabelecer uma nova governança, gestão pública de qualidade com critérios de competência, ética, honestidade. Com composição do governo com bases em programa e não simplesmente na distribuição de pedaços do Estado”, disse.

    “Se eu achasse que esse país está condenado a eternamente ter esse padrão de política que nós temos, eu entraria em depressão.”

Com reportagem adicional de Paulo Prada

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