Dilma diz que BNDES é tratado com "leviandade" e nega política de "campeãs nacionais"

segunda-feira, 29 de setembro de 2014 20:00 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, saiu nesta segunda-feira em defesa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e partiu para o ataque contra os principais rivais na disputa --Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB)-- pelas críticas feitas contra o BNDES.

Antes de participar de um comício em um bairro da periferia de São Paulo, Dilma disse a jornalistas que os rivais tratam o BNDES com "leviandade" e negou a chamada "política de campeãs nacionais", que seria adotada pelo banco.

"O BNDES não é um banco qualquer. É uma leviandade tratá-lo como ele tem sido tratado nessa campanha", disparou a presidente, que classificou como "uma temeridade" querer reduzir o papel e o tamanho dos bancos públicos no Brasil.

Aécio já criticou o que chamou de "bolsa-empresário" numa referência a empréstimos com juros subsidiados feitos pelo banco de fomento a algumas companhias, segundo ele, "escolhidas" pelo governo.

Já Marina afirmou que o BNDES "deu 500 bilhões de reais a meia dúzia de empresários falidos".

O BNDES escolheu alguns setores da economia --como infraestrutura, alimentos, óleo e gás, papel e celulose e telefonia-- para priorizar empresas desses segmentos na concessão de empréstimos, com vistas a melhorar a competitividade delas no Brasil e no exterior, com o objetivo de garantir empregos no Brasil.

Críticos dizem que a estratégia do BNDES desprotegia pequenas e médias empresas, que deveriam ser seu objetivo principal, e poderia colocar em risco a estabilidade fiscal do país dado os grandes volumes de repasses do Tesouro ao banco.

Nesta segunda, Dilma negou a existência dessa política, que ficou conhecida como "política de campeãs nacionais" e afirmou que, das 1.000 maiores empresas do Brasil, 783 têm financiamento do BNDES.

"Essa política das campeãs nacionais é um factóide. Nós temos então 783 campeãs nacionais entre as 1.000 maiores?", rebateu a presidente.   Continuação...

 
Presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, participa de entrevista no Palácio da Alvorada.  26/9/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino