Moody's pode esperar até 2016 para decidir sobre rating do Brasil

terça-feira, 30 de setembro de 2014 14:08 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal e Walter Brandimarte

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Moody's Investors Service pode esperar até 2016 para decidir se corta o rating soberano do Brasil, afirmou nesta terça-feira o analista da agência Mauro Leos, acrescentando que os gastos do governo brasileiro continuam sendo o "elo mais fraco" no perfil de classificação de risco do país.

A Moody's, que neste mês alertou que pode reduzir o rating "Baa2" do Brasil nos próximos dois anos devido à desaceleração da economia e ao peso da dívida, espera reunir um comitê para discutir o país por volta do primeiro trimestre de 2016.

"Se não houver surpresas negativas, não vamos reunir um comitê antes dessa data", disse Leos, analisa de crédito soberano para o Brasil, em evento em São Paulo. "Dissemos antes que não estamos muito otimistas sobre o próximo ano."

O Brasil continua sendo um "caso isolado", com métricas de dívida em média piores do que a de seus pares, disse Leos. Além, disso, permanecem preocupações sobre a fraca economia e a cadente confiança do investidor, completou ele.

A ameaça de rebaixamento pela Moody's amplia a pressão sobre o vencedor da eleição presidencial para mudar o curso das políticas econômicas. Nesta terça-feira, o Banco Central informou que o Brasil teve o pior resultado primário da história para meses de agosto, ficando ainda mais distante de cumprir a meta fiscal deste ano, mesmo com manobras contábeis que o governo pretende fazer.

A presidente Dilma Rousseff (PT), que lidera as pesquisas de opinião, já disse que não tem planos de alterar radicalmente as políticas se for reeleita para um segundo mandato de quatro anos. Sua principal adversária, a ex-senadora e ambientalista Marina Silva (PSB) demonstrou mais disposição de cortar gastos.

No entanto, uma situação econômica atual vai tornar mais difícil para quem quer que ganhe as eleições cumprir as promessas de campanha, disse Leos.

A Moody's vai monitorar a capacidade do próximo governo de cumprir as promessas de campanha e avaliar a reação do mercado a esses anúncios de política para tomar uma decisão, de acordo com Leos.   Continuação...

 
Logotipo da agência de classificação de risco Moody's na sede da empresa em Nova York. REUTERS/Brendan McDermid