ENTREVISTA-Presidenciáveis carecem de comunicação efetiva com Classe C, diz Data Popular

terça-feira, 30 de setembro de 2014 19:53 BRT
 

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - Os principais candidatos à Presidência da República vêm tendo dificuldades para estabelecer uma comunicação efetiva com o eleitorado da Classe C, grupo que representa nada menos que 56 por cento das pessoas que podem ir às urnas, avalia Renato Meirelles, presidente do instituto de pesquisa Data Popular, especializado neste segmento.

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, assumiu a liderança entre esse eleitorado nas últimas pesquisas, saindo de um empate com a rival do PSB, Marina Silva. Para Meirelles, porém, a razão para isso é a "gratidão" daqueles que ascenderam à classe média nos quase 12 anos de governo do PT.

"Na minha avaliação nenhuma das candidaturas se comunica bem com a Classe C, nenhuma", disse Meirelles em entrevista por telefone.

"A história dos 12 anos do Lula com Dilma são mais fortes hoje do que a capacidade de comunicação que a oposição está tendo. Não quer dizer que a Dilma consegue se comunicar efetivamente, não é isso. Essas pessoas entraram na classe média muito por conta da última década de governo do país."

Segundo o Data Popular, a Classe C é o grupo de renda familiar entre 1.792 reais e 3.273 reais mensais. Levantamento do Datafolha divulgado no último dia 26 mostrou que entre o grupo com renda familiar de mais de dois a cinco salários mínimos --o que mais se enquadra na definição do Data Popular-- Dilma tem 37 por cento das intenções de voto, contra 30 por cento de Marina e 20 por cento de Aécio Neves (PSDB).

Nessa faixa, segundo o Datafolha, a soma de brancos, nulos e indecisos é de 10 por cento. Na pesquisa anterior do instituto, Dilma e Marina estavam empatadas na preferência deste eleitorado, com 34 por cento cada. O distanciamento da petista em relação à candidata do PSB na simulação de segundo turno também coincide com a liderança de Dilma entre a Classe C.

Para Meirelles, apesar da gratidão desse eleitorado emergente em relação ao governo petista, a oposição tem condições de capturar essa parcela de eleitores.

Ele explica que o eleitorado mais jovem da Classe C não tem a lembrança do desemprego como o mais velho e, embora reconheça que o ambiente econômico na última década foi favorável, atribui a sua melhora de vida mais a seu esforço do que ao governo.   Continuação...