CENÁRIOS-Independência do BC dificilmente passaria no Congresso no próximo governo

quinta-feira, 2 de outubro de 2014 13:44 BRT
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA (Reuters) - Alçada ao topo da discussão de uma acirrada disputa à Presidência da República, a independência formal do Banco Central dificilmente teria chance de ser aprovada pelo Congresso Nacional qualquer que seja o eleito para conduzir o país a partir de 2015.

O tabuleiro político do Senado e da Câmara mostra que a maioria dos partidos com representação relevante é contra a independência do BC ou não tem avaliação fechada sobre o tema, posicionamento que dificulta o debate.

"O PT é contra a independência do BC", afirma o senador Humberto Costa (PE), líder no Senado da legenda, que tem hoje a segunda maior representação na Casa, com 13 senadores (16 por cento do total).

"A proposta não faz parte do nosso programa. Se outro candidato vencer a eleição (presidencial) e essa proposta avançar, nós procuraremos derrotá-la", acrescentou Costa.

A independência institucional do BC ganhou destaque após a candidata à Presidência pelo PSB, Marina Silva, incluir em seu programa de governo que, se eleita, buscará dar tal condição à autoridade monetária.

Embora o PSB de Marina ainda estude qual o melhor modelo de BC independente a ser adotado, a ex-senadora e ambientalista argumenta que isso ajudaria no controle da inflação e na estabilidade da economia.[nL2N0RQ2CK]

O discurso de Marina virou munição de campanha da presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição. Anúncio na televisão da campanha de Dilma mostrou homens engravatados rindo, ao mesmo tempo em que a comida desaparecia da mesa de uma família. O locutor do anúncio, enquanto isso, afirmava que a independência do BC deixaria para os banqueiros decisões sobre emprego, juros e salários.

Atualmente, o BC tem apenas autonomia operacional, ou seja, está subordinado ao Poder Executivo.   Continuação...

 
Homem passa perto do Banco Central do Brasil, em Brasília. REUTERS/Ueslei Marcelino