Próximo presidente terá pela frente Congresso mais fragmentado e pouco renovado

quinta-feira, 2 de outubro de 2014 18:17 BRT
 

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - O desejo de mudança tem marcado a disputa eleitoral para a Presidência da República neste ano e, ainda assim, o próximo presidente, seja qual for, deverá ter pela frente um Congresso Nacional com poucas caras novas e fragmentado entre um número maior de partidos.

Segundo projeções feitas pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o número de partidos com representação na Câmara dos Deputados deve passar de 22 para 28 e, embora 50 por cento das cadeiras devam trocar de dono, isso não significa uma renovação de quadros.

"A renovação real é muito baixa, mas a circulação de poder, ou seja, a troca de cadeiras deve ser da ordem de 50 por cento ou mais", disse à Reuters o analista político e diretor de Documentação do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, que realizou projeções das bancadas de Câmara e Senado a partir de 2015.

"Isso não significa renovação efetiva, porque vai voltar gente que já exerceu mandato", explicou Queiroz.

Entre os exemplos de parlamentares que já exerceram mandato e que podem voltar ao Congresso estão os dos ex-senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e José Serra (PSDB-SP), que tentam voltar ao Senado, e do ex-senador Heráclito Fortes, que exerceu mandato pelo DEM do Piauí e agora tenta voltar ao Congresso, dessa vez na Câmara pelo PSB piauiense.

Entre os motivos que explicam a maior pulverização partidária da Câmara está a criação de novas legendas desde a eleição de 2010 --PSD, do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab; Pros, que têm o governador do Ceará, Cid Gomes, e seu irmão e ex-ministro Ciro Gomes, entre suas estrelas; Solidariedade, do ex-presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva.

A mudança de padrão nas coligações proporcionais por parte de legendas médias e grandes também pesou.

"Antes só os pequenos partidos trabalhavam com coligações (proporcionais) com o objetivo de eleger um ou outro parlamentar. Neste pleito, os grandes e médios partidos também passaram a agir racionalmente, ou seja, entrar em coligações de modo a tirar proveito da soma de votos de outros", disse.   Continuação...

 
Congresso Nacional em Brasília iluminado de rosa em campanha sobre câncer de mama. 08/10/2013. REUTERS/Ueslei Marcelino