PERFIL-Finalmente presidenciável, Aécio tenta evitar pior desempenho tucano em 25 anos

sexta-feira, 3 de outubro de 2014 19:48 BRT
 

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - Apontado como futuro candidato do PSDB ao Planalto desde que ganhou destaque nacional como presidente da Câmara dos Deputados em 2001, o senador mineiro Aécio Neves vive agora uma situação inusitada para qualquer candidato tucano desde 1989: a possibilidade de ser derrotado sem sequer chegar ao segundo turno.

Visto por aliados como um gestor eficiente capaz de fazer auxiliares entregarem resultados e o homem certo para levar adiante a herança política do avô Tancredo Neves, é criticado por adversários por ser um político que controla a imprensa com pulso firme e um representante de Minas Gerais que passa tempo demais em festas no Rio de Janeiro.

“Eu acho que o Aécio combina uma extraordinária habilidade política, para a política partidária, para as composições eleitorais, com uma clareza muito grande de objetivos, do que ele quer atingir", disse o senador paulista Aloysio Nunes (PSDB), candidato a vice na chapa de Aécio, em entrevista recente à Reuters na qual também rebateu a fama de "playboy" do presidenciável tucano.

“Ele é um sujeito que gosta da vida. Gosta de comer bem, gosta de amigos, gosta de tomar os seus aperitivos. É uma pessoa normal. Agora, é extremamente disciplinado. O Aécio é um sujeito muito disciplinado e trabalhador. Não apenas na política mas na administração. Foi um excelente governador de Minas Gerais.”

Independentemente da opinião que desperte, o fato é que Aécio, aos 54 anos, finalmente chegou à posição que parecia que seria sua, mais cedo ou mais tarde: a candidatura à Presidência da República.

Mas um fato inédito em disputas presidenciais no Brasil --a morte do então candidato do PSB, Eduardo Campos, e sua substituição por Marina Silva-- ameaça frustrar os planos do tucano.

"Nós estamos tendo, na verdade, uma nova eleição em razão de tudo o que ocorreu, inclusive, com mudança de candidaturas", tem repetido Aécio desde que Marina se tornou candidata e o ultrapassou nas pesquisas de intenção de voto.

Às vésperas da eleição de domingo, o tucano voltou a ganhar terreno, ao passo que a candidata do PSB perdeu força, e o que parecia distante nos primeiros levantamentos feitos após a morte de Campos, a ida de Aécio ao segundo turno, que ele gosta de chamar de "a onda da razão", parece agora uma possibilidade real.   Continuação...

 
Candidato a presidente pelo PSDB, Aécio Neves, participa de debate em São Paulo. 28/09/2014. REUTERS/Nacho Doce