Dólar cai 1,2% com especulação eleitoral, após ultrapassar R$2,50

sexta-feira, 3 de outubro de 2014 18:19 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda de mais de 1 por cento nesta sexta-feira, com investidores usando o noticiário político como pretexto para ajustar suas posições, após a divisa superar durante a sessão 2,50 reais pela primeira vez desde o fim de 2008.

A moeda norte-americana caiu 1,2 por cento, a 2,4618 reais na venda, depois de alcançar 2,5078 reais na máxima da sessão e 2,4568 reais, na mínima. Na semana, o dólar subiu 1,9 por cento.

Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 3,3 bilhões de dólares, bem acima da média diária do mês passado, de 1,5 bilhão de dólares.

"O mercado está comprado demais e sensível demais, o que não é uma boa posição técnica. Qualquer susto acaba fazendo um estrago", disse o economista-chefe da corretora BGC Liquidez, Alfredo Barbutti, acrescentando que, com as eleições, "a volatilidade não é mais a exceção, é a regra".

O avanço nas pesquisas eleitorais da presidente Dilma Rousseff (PT), criticada por sua política econômica por agentes dos mercados, puxou o dólar nas últimas semanas. Apenas em setembro, a moeda norte-americana avançou 9,33 por cento, maior alta mensal em três anos.

Nesta sessão, investidores aproveitaram para corrigir parte dessa alta, após a revista Veja publicar em sua página na Internet que o doleiro Alberto Youssef teria documentos provando o esquema de corrupção na Petrobras. Alguns operadores acreditavam que a matéria poderia prejudicar as chances de reeleição de Dilma, que mantém a liderança nas pesquisas de intenções de voto.

Essa onda de vendas tirou a divisa das máximas da sessão e colocou-a firmemente em território negativo. Mais cedo, a moeda norte-americana alternou entre altos e baixos e superou 2,50 reais, impulsionada pelo quadro eleitoral e por números fortes sobre o mercado de trabalho norte-americano.

"O cenário doméstico está se sobrepondo à questão internacional hoje. Não é de surpreender, considerando que a eleição está ali", disse o economista-chefe da INVX Global, Eduardo Velho.   Continuação...