Dilma e Aécio disputam 2o turno e mantêm 20 anos de polarização PT x PSDB

segunda-feira, 6 de outubro de 2014 01:43 BRT
 

Por Alexandre Caverni e Cesar Bianconi

SÃO PAULO (Reuters) - Em uma arrancada final impressionante, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, garantiu no domingo uma vaga no segundo turno da eleição presidencial com muito mais facilidade do que as últimas pesquisas apontavam e ainda se aproximou da primeira colocada, a presidente Dilma Rousseff (PT), como em nenhum momento da campanha.

"A minha primeira constatação é de que esse sentimento de mudança, amplamente presente em todo o Brasil, já foi vitorioso no primeiro turno", disse Aécio, em seus primeiros comentários após os resultados da votação.

"A minha candidatura não é mais a candidatura de um partido político ou de um conjunto de alianças", acrescentou. "É o sentimento mais puro de todos os brasileiros que ainda têm a capacidade de se indignar, mas principalmente a capacidade de sonhar."

A conta de Aécio é simples. Dilma teve 41,6 por cento dos votos válidos, ou quase 43,3 milhões, enquanto o tucano ficou com 33,6 por cento, o equivalente a 34,9 milhões.

Somando os votos de Aécio aos 22,2 milhões (ou 21,3 por cento) depositados nas urnas para Marina Silva (PSB), a oposição conseguiu uma larga vantagem sobre a presidente.

"Os votos no Aécio e na Marina apontam que a oposição está forte para o segundo turno", disse o cientista político e professor da PUC-Rio Ricardo Ismael. "O segundo turno vai ser bastante disputado e sem favoritos."

Ao comentar o primeiro turno, Marina --que durante mais de um mês teve uma folgada vantagem sobre Aécio na disputa do segundo lugar-- deu declarações que podem ser interpretadas como uma sinalização de apoio ao tucano na nova etapa da eleição.

"Nós vamos fazer a discussão e obviamente que estatisticamente a sociedade mostra isso (desejo de mudança)", disse Marina a jornalistas e aliados em São Paulo.   Continuação...

 
Candidatos à Presidência da República, presidente Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), votam em Porto Alegre e Belo Horizonte, respectivamente. 5/10/2014 REUTERS/Paulo Whitaker / Washington Alves