Disputas em alguns Estados podem corroer vantagem de 8 mi de votos de Dilma

segunda-feira, 6 de outubro de 2014 18:46 BRT
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - O resultado da eleição presidencial mostra que a disputa em alguns Estados pode ser fundamental para o candidato do PSDB, Aécio Neves, limar a vantagem de 8 milhões de votos da presidente Dilma Rousseff (PT), ainda mais se o tucano conseguir o apoio pessoal de Marina Silva (PSB).

Já a presidente Dilma Rousseff, que teve um desempenho bem inferior ao de 2010, quando recebeu mais de 47 milhões de votos no primeiro turno, vai enfrentar cenários adversos nessas disputas estaduais e não trabalha com a hipótese de ter o apoio de Marina, que teve mais de 22 milhões de voto no domingo.

Um pouco antes da eleição, um ministro do governo disse à Reuters que Dilma queria ter uma vantagem de pelo menos 10 pontos percentuais no primeiro turno. Essa diferença ficou em 8,1 pontos percentuais.

O resultado mais surpreendente do domingo foi a imensa vantagem construída por Aécio em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, onde conquistou mais de 10,1 milhões de votos, superando em 4 milhões os obtidos pela petista. O desempenho do senador mineiro foi melhor até mesmo do que o do ex-governador do Estado José Serra, candidato presidencial do PSDB em 2010 e eleito senador no domingo.

Naquele ano, Serra conseguiu 40,6 por cento dos votos válidos em casa. Este ano, Aécio chegou a 44,2 por cento dos votos válidos em São Paulo.

Os estrategistas de Aécio acreditam que no segundo turno ele pode chegar a pelo menos 60 por cento dos votos válidos.

Essa será uma das apostas da campanha tucana, contra a qual dificilmente Dilma terá uma resposta. São Paulo é o Estado que concentra a maior rejeição à presidente e ao PT. Em 2010, a petista chegou a 37,3 por cento dos votos válidos no Estado. Desta vez, minguou para 25,8 por cento.

Para piorar, o governador Geraldo Alckmin se reelegeu no primeiro turno com folga e poderá mobilizar sua máquina eleitoral a favor de Aécio. "O Alckmin nos ajudou em tudo que precisávamos no primeiro turno, não temos do que reclamar", disse à Reuters um dos estrategistas da campanha de Aécio.   Continuação...