COLUNA-A coisa não está fácil para Dilma

segunda-feira, 6 de outubro de 2014 19:40 BRT
 

(O autor é editor de Front Page do Serviço Brasileiro da Reuters. As opiniões expressas são do autor do texto)

Por Alexandre Caverni

SÃO PAULO (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff (PT) procurou mostrar otimismo na noite de domingo com uma tirada no mínimo questionável: comemorou o que chamou de sétima vitória seguida de seu partido, o PT, nas eleições presidenciais. Para isso considerou os dois turnos realizados em 2002, 2006, 2010 mais a votação de agora.

Comemorar vitória no primeiro turno é mais ou menos o mesmo que o Brasil comemorar ser "campeão" do grupo na primeira fase em Copas do Mundo. O resultado final nos últimos três Mundiais não é lá muito animador.

Mas Dilma precisava mesmo mostrar otimismo. Depois de passar o último mês e meio mirando em Marina Silva (PSB) por considerá-la sua virtual adversário no segundo turno, a presidente viu Aécio Neves (PSDB) dar uma arrancada impressionante nos últimos dias para ultrapassar a candidata do PSB e chegar embaladíssimo para as três semanas de campanha da fase final das eleições.

O surpreendente desempenho do tucano nas urnas domingo é o prenúncio das dificuldades que Dilma terá que enfrentar nos próximos dias para ser reeleita e garantir a continuidade do PT no mais alto cargo do país por 16 anos.

O primeiro problema para Dilma é justamente o embalo de Aécio. Se é verdade que os candidatos costumam manter os votos conquistados no primeiro turno --desde a redemocratização só Geraldo Alckmin (PSDB) encolheu na segunda votação-- também é verdade que o impulso conta muito nessas horas.

Dilma teve um desempenho abaixo do esperado, com 41,59 por cento dos votos válidos, reforçando a ideia de que seu teto é baixo, e para vencer no segundo turno vai ter que correr atrás de mais votos do que ela mesma, em 2010, e Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002 e 2006.   Continuação...