7 de Outubro de 2014 / às 19:09 / em 3 anos

Campanha de Dilma vai explorar "mapa vermelho" do Nordeste

Presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) durante pronunciamento em Brasí­lia. 05/10/2014Ueslei Marcelino

BRASÍLIA (Reuters) - A campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff vai explorar o "mapa vermelho" do Nordeste para ampliar a vantagem obtida no primeiro turno com foco no eleitorado da região onde o adversário, Aécio Neves (PSDB), tem pouca expressão.

Dilma dará início às atividades de campanha na região e nos próximos dias viajará para Piauí, Bahia, Paraíba, Sergipe e Alagoas.

Na votação de domingo, a petista teve 41,6 por cento dos votos válidos, ou quase 43,3 milhões, enquanto Aécio ficou com 33,6 por cento, o equivalente a 34,9 milhões. No Nordeste, a presidente venceu por ampla margem de votos em todos os Estados à exceção de Pernambuco, que teve a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, em primeiro lugar.

"Nós queremos ampliar nossa vitória explorando o mapa vermelho", disse nesta terça-feira à Reuters um membro do governo, sob condição de anonimato.

A aposta no Nordeste ainda se justifica porque a região é amplamente beneficiada pelos programas sociais do governo, mantém ritmo de crescimento econômico acima da média nacional, além de o candidato do PSDB não ter obtido uma boa votação, já que o eleitorado é majoritariamente petista.

Nessa investida, a campanha acredita que é possível obter pelo menos mais 3 milhões de votos para Dilma, apesar de ela precisar de ao menos 9 milhões de votos a mais do que no primeiro turno para garantir a vitória. Essa fonte do governo não detalhou onde e como a petista buscaria o restante que precisa para vencer.

Uma outra fonte da coordenação da campanha de Dilma confirmou que o Nordeste é prioridade na estratégia, mas haverá forte mobilização da campanha no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e também em São Paulo, os maiores colégios eleitorais do país, e onde há votos de Marina a serem disputados com Aécio.

São Paulo é considerado um território inóspito para Dilma, mas na avaliação desse membro da coordenação há como crescer e herdar parte dos votos da candidata do PSB, de eleitores que anularam o voto e também entre os que votaram em candidatos dos partidos nanicos.

"Acho que a Dilma pode melhorar sua votação em São Paulo", disse, sem querer se comprometer com uma meta. No domingo, a petista obteve pouco mais de 5,9 milhões de votos no Estado. Marina teve pouco mais de 5,7 milhões.

"Nós sabemos que uma parte dos votos da Marina não é apenas antipetista e podemos conquistar esse grupo", disse a fonte da campanha.

A campanha aposta que o discurso de confronto contra projetos do PSDB é capaz de convencer parte dos eleitores de Marina que "não vão apoiar a posição neoliberal dos tucanos", segundo a fonte da coordenação.

ANTITUCANISMO

Na Bahia, Dilma recebeu 60,6 por cento dos votos válidos no domingo. Em 2010, a petista teve 62,6 por cento dos votos válidos no Estado, o que demonstra que ela tem condições de ampliar essa vantagem.

No Piauí, entretanto, a presidente já teve uma votação mais expressiva nessa eleição do que em 2010. Dessa vez, ela teve 70,8 por cento dos votos válidos, contra 67 por cento da última eleição.

Nos dois Estados em que ela dará o pontapé da estratégia do segundo turno, os candidatos do PT ao governo foram eleitos no primeiro turno: Rui Costa, na Bahia, e Wellington Dias, no Piauí.

Apesar de no Nordeste haver "um antitucanismo que pode ser explorado", segundo a fonte do governo, há lugares que a campanha petista considera complicados, como Pernambuco, Estado de Eduardo Campos, que foi substituído por Marina na liderança da chapa do PSB após morrer em um acidente aéreo.

Lá, Dilma perdeu para Marina por pouco mais de 180 mil votos, mas a herança expressiva de 2,3 milhões de votos da candidata do PSB, derrotada no primeiro turno, está em disputa agora.

A grande votação de Marina vincula-se certamente à comoção provocada pela morte de Campos. Nesse caso, os petistas acreditam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também pernambucano, pode virar a maioria desses votos para Dilma. Há, contudo, um indicativo de que isso não será tão fácil, uma vez que o PT não conseguiu eleger nenhum deputado no Estado.

"Em Pernambuco a situação é delicada", disse a fonte, acrescentando que Lula vai tentar ampliar a votação de Dilma no Estado, mas não há uma estratégia clara ainda.

No dia seguinte à votação, a presidente já afirmara que começaria as atividades de campanha na rua no Nordeste. Depois, disse que seguiria para o Sul do país e para Minas Gerais e São Paulo na sequência.

Em São Paulo, Aécio obteve 44,2 por cento dos votos válidos, ou quase 10,2 milhões. Dilma ficou com 25,8 por cento (5,9 milhões) e Marina com 25,1 por cento (5,8 milhões).

Por outro lado, ele perdeu em Minas Gerais, que duas vezes o elegeu governador no primeiro turno. Dilma teve 43,5 por cento dos votos válidos (4,8 milhões) e o tucano somou 39,8 por cento (4,4 milhões). Marina alcançou 14 por cento (1,6 milhão).

APOIO DE MARINA

A campanha de Dilma não trabalha com a hipótese de receber o apoio de Marina no segundo turno, mas torce para que ela, ao menos, não apóie formalmente Aécio Neves.

Antes de uma reunião de Dilma com governadores e senadores aliados eleitos e com o conselho político da aliança, na tarde desta terça, petistas criticaram a possibilidade de Marina se aliar ao PSDB.

O presidente do PT, Rui Falcão, chegou a dizer que Marina perderia "substância política" se escolhesse um dos lados no segundo turno. O governador da Bahia, Jaques Wagner, disse que não haveria muita coerência numa aliança entre PSB e PSDB, considerando a trajetória dos socialistas.

A fonte da campanha ouvida pela Reuters foi na mesma linha e disse que se Marina optar por Aécio derrubará seu discurso de terceira via. Essa fonte ainda minimizou a possibilidade da candidata do PSB transferir todos ou a maioria dos seus votos ao declarar apoio a Aécio.

"Não dá para achar que a Marina, que sequer conseguiu construir um partido, vai ser uma liderança capaz de transferir todos seus votos para alguém", disse.

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