ANÁLISE-Estratégia eleitoral de Dilma aumenta problemas para economia do Brasil

terça-feira, 7 de outubro de 2014 21:29 BRT
 

Por Brian Winter e Alonso Soto

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - A estratégia da presidente Dilma Rousseff de atacar banqueiros e ressaltar as divisões de classe pode lhe dar uma vantagem na eleição deste mês, mas reforça as tensões com as lideranças empresariais no momento em que a estagnada economia brasileira precisa urgentemente de novos investimentos.

A candidata do PT à reeleição, que liderou a votação em primeiro turno no último domingo e vai enfrentar o favorito dos mercados Aécio Neves, do PSDB, no segundo turno, está usando fortes gastos governamentais e a retórica dura para garantir o apoio entre os pobres.

O Partido dos Trabalhadores, no poder desde 2002, usou estratégia parecida para vencer as últimas três eleições presidenciais em um país marcado pela concentração de renda, mas Dilma está aumentando a aposta na mais acirrada e incerta disputa no país em décadas.

Ela está concentrando no histórico impressionante de redução de pobreza durante os 12 anos do PT no poder, enquanto descreve PSDB, que ocupou a presidência entre 1995 a 2002, como um defensor dos mais ricos.

"Vamos ter mais uma disputa contra o PSDB, que governou para um terço da população e se esqueceu dos mais necessitados", disse Dilma na noite do domingo, após Aécio garantir, no último minuto, o segundo lugar e a oportunidade de disputar o segundo turno.

Ela insistiu no mesmo tema na segunda-feira, classificando o PSDB como o partido dos ricos e a recuperação dos mercados após o desempenho de Aécio como irrelevante.

"Eu desconfio que os investidores podem fazer tudo, mas não ganham uma eleição. Quem ganha e vota no Brasil chama-se povo brasileiro", afirmou a presidente.

Durante o primeiro turno, a sua equipe de campanha veiculou um anúncio na TV criticando a proposta da candidata Marina Silva (PSB) de um banco central independente ao mostrar banqueiros de terno e gravata sentados em uma mesa e rindo enquanto a comida desaparecia dos pratos de uma família pobre.   Continuação...