Navio de minério de ferro da Vale tem permissão para atracar em porto chinês

sexta-feira, 10 de outubro de 2014 07:29 BRT
 

XANGAI (Reuters) - Um cargueiro gigante de minério de ferro de propriedade da Vale foi autorizado a atracar em um porto chinês na semana passada, mostraram dados da Reuters, o primeiro desde que a mineradora brasileira assinou acordos com dois dos maiores grupos de transporte da China, em investida que foi vista como um descongelamento de relações.

Donos de embarcações chineses se opuseram ao acesso para mega-navios da Vale de porte de 400 mil toneladas, conhecidos como Valemax, dizendo que eles poderiam piorar o excesso de oferta em transporte e roubar participação de mercado. Em 2012, o Ministério dos Transportes proibiu os navios nos portos da China, citando preocupações de segurança.

Mas no mês passado, a Vale assinou acordos com as empresas apoiadas pelo Estado chinês Cosco e China Merchants Energy Shipping em um movimento que marcou um avanço no longo impasse e levou os analistas a preverem que os navios Valemax estariam em breve atracando no maior consumidor de minério de ferro do mundo.

O mega-navio Shandong Da Ren atracou no porto Dongjiakou em Qingdao, leste da China, em 2 de outubro, no início de um feriado nacional de sete dias, e partiu para Cingapura em 4 de outubro, de acordo com dados de rastreamento da Reuters.

O navio, que era conhecido como Vale Malásia até a mineradora assinar um contrato de fretamento com a estatal chinesa Shandong Shipping Corporation no ano passado, tinha entrado pela última vez em um porto chinês em abril de 2013, na primeira entrada de um Valemax desde a proibição chinesa de 2012, embora não tenha ficado claro porque fora autorizado a entrar.

O Ministério dos Transportes e a Vale China não retornaram pedidos para comentar quando contatadas pela Reuters nesta sexta-feira.

A incapacidade da Vale de atracar seus grandes cargueiros de minério de ferro nos portos chineses frustraram suas tentativas de reduzir custos de frete e competir com rivais australianas como a BHP Billiton e a Rio Tinto, que estão mais perto de China.

(Reportagem de Brenda Goh)