ENFOQUE-Dilma tem arrancada ruim no 2º turno e precisa reagir para se reeleger

sexta-feira, 10 de outubro de 2014 17:39 BRT
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - O segundo turno é como uma corrida de tiro curto em que a arrancada é fundamental para definir a prova, e a largada de Dilma Rousseff (PT) foi bem pior do que a do seu adversário, Aécio Neves (PSDB), sobrando praticamente só duas semanas para a presidente recuperar seu favoritismo.

Desde segunda-feira, um embalado Aécio recebeu apoios partidários importantes para a sua campanha, enquanto Dilma não ganhou nenhum novo apoio formal de partidos. Além disso, o tucano passou à frente da petista numericamente pela primeira vez nesta corrida presidencial. [nL2N0S3375] [nL2N0S438D]

De quebra, Aécio ganhou mais um trunfo contra o governo quando a Justiça Federal passou a divulgar áudios do depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa em que denuncia um suposto esquema de corrupção na estatal que abasteceu os cofres do PT, PP e PMDB. [nL2N0S42DC]

Esse cenário tornou a semana da largada após o primeiro turno perdida para Dilma. Restam agora 15 dias para que ela se recupere e vença essa onda pró-Aécio além dos obstáculos que já estavam postos desde o início da campanha.

"Foi uma arrancada ruim para a Dilma, os ventos estão a favor do Aécio", disse à Reuters o cientista político Benedito Tadeu Cesar, do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais (Inpro), acrescentando que as denúncias da Petrobras devem "trazer problemas" para a campanha petista.

Essa avaliação não é apenas de quem está fora da campanha. Quem está envolvido pela reeleição de Dilma também sentiu o golpe da péssima arrancada.

Um dos integrantes do comitê de reeleição da presidente traçou um panorama bem pessimista para as próximas semanas.

"A tendência é que piore nos próximos dias, porque a denúncia de corrupção na Petrobras vai ganhar mais espaço no noticiário, pode ser usada no programa de TV do Aécio e a imagem de corrupção associada ao PT torna as coisas ainda mais difíceis para ela", avaliou essa fonte, sob condição de anonimato.   Continuação...

 
Presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), em entrevista coletiva em Brasília. 10/10/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino