COLUNA-O apoio de Marina: coerências, contradições e o que fica para o futuro

segunda-feira, 13 de outubro de 2014 20:18 BRT
 

(O autor é editor de Front Page do Serviço Brasileiro da Reuters. As opiniões expressas são do autor do texto)

Por Alexandre Caverni

SÃO PAULO (Reuters) - Cobrar coerência nas decisões dos políticos costuma ser uma tarefa inglória, mas é preciso reconhecer que Marina Silva (PSB), ao declarar apoio a Aécio Neves (PSDB) no segundo turno da eleição presidencial, tem vários pontos a seu favor. Mas algumas questões mostram também que não existem decisões perfeitas e que elas têm sempre consequências sobre o futuro.

O apoio da terceira colocada no primeiro turno parecia certo desde suas declarações dadas logo depois de conhecidos os resultados das urnas no último dia 5. A candidata do PSB disse naquele momento que a maioria tinha escolhido a mudança e que ela levaria isso em consideração ao decidir sobre o que fazer em seguida.

Ela afirmou ainda que a decisão se daria com bases programáticas, o que reforçava a impressão de que ela optaria pelo tucano, já que seu programa de governo, especialmente na parte econômica, tinha inúmeras afinidades com o do PSDB.

No final, Marina fez tudo o que prometeu naquele domingo. Se a maioria escolheu a mudança e ela queria ser coerente com isso, a opção tinha que ser o tucano. Por mais que a presidente Dilma Rousseff (PT) diga que "governo novo, ideias novas", se alguém quer mudar mesmo, vai preferir outro e não o mesmo para fazer essas mudanças.

Sobre as bases programáticas, Marina foi muito mais coerente que o partido que a abriga, o PSB, que anunciou apoio a Aécio na quarta-feira antes de apresentar sugestões programáticas ao tucano.

A ex-senadora primeiro levou pontos que gostaria de ver abraçados por Aécio. E somente depois que ele assumiu um compromisso formal com alguns deles, incluindo "levar adiante o resgate da dívida social brasileira", Marina declarou seu apoio.   Continuação...