Com Aécio, Brasil "normalizará" relações com países desenvolvidos, diz Barbosa

sexta-feira, 17 de outubro de 2014 17:44 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Se o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, vencer a eleição, o Brasil passará por uma grande mudança nas negociações comerciais internacionais e normalizará as relações com os países desenvolvidos, o que inclui um esforço pela assinatura de uma acordo com a União Europeia, disse nesta sexta-feira o embaixador Rubens Barbosa.

“Faremos uma revisão da estratégia de negociação comercial multilateral, regional, bilateral, e vamos fazer esse grande esforço para assinar de fato esse acordo com a União Europeia”, disse Barbosa durante o seminário no Rio de Janeiro.

“Outro ponto que nos diferencia muito da política atual é a normalização do relacionamento com os países desenvolvidos, e isso não é em detrimento dos países em desenvolvimento", disse Barbosa, coordenador de política externa do programa de governo do PSDB.

"O que nós vamos fazer é não colocar em um distante segundo lugar, como existe hoje, as relações com os países desenvolvidos, como o Japão, a União Europeia, os Estados Unidos”, acrescentou.

O Brasil encontra-se em um impasse nas conversas bilaterais e plurilaterais devido a uma resolução aprovada no âmbito do Mercosul, segundo a qual tais acordos teriam que ser chancelados por todos os países membros do bloco.

Ao ser criticado por Lia Valls, coordenadora de comércio exterior da Ibre/FGV, para quem tal propensão a acordos com países desenvolvidos teria o potencial de expor a economia brasileira a mercados com os quais não tem condições de competir, Barbosa disse que o plano tucano prevê a integração da política externa com as políticas econômica e industrial.

“Essa inserção externa do Brasil vai ser feita concomitantemente com as reformas internas para melhorar a competitividade e reduzir o custo Brasil", disse Barbosa.

"Ninguém vai fazer abertura bilateral e sair fazendo acordos por aí. Um acordo com os EUA não está na pauta, ninguém esta pensando em fazer imediatamente esse acordo com os EUA”, acrescentou.

O governo da presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição, alega que está engajado em negociações com o bloco regional para o avanço de um acordo com a UE, o que foi negado por Barbosa.   Continuação...