17 de Outubro de 2014 / às 20:49 / 3 anos atrás

Com Aécio, Brasil "normalizará" relações com países desenvolvidos, diz Barbosa

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Se o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, vencer a eleição, o Brasil passará por uma grande mudança nas negociações comerciais internacionais e normalizará as relações com os países desenvolvidos, o que inclui um esforço pela assinatura de uma acordo com a União Europeia, disse nesta sexta-feira o embaixador Rubens Barbosa.

“Faremos uma revisão da estratégia de negociação comercial multilateral, regional, bilateral, e vamos fazer esse grande esforço para assinar de fato esse acordo com a União Europeia”, disse Barbosa durante o seminário no Rio de Janeiro.

“Outro ponto que nos diferencia muito da política atual é a normalização do relacionamento com os países desenvolvidos, e isso não é em detrimento dos países em desenvolvimento", disse Barbosa, coordenador de política externa do programa de governo do PSDB.

"O que nós vamos fazer é não colocar em um distante segundo lugar, como existe hoje, as relações com os países desenvolvidos, como o Japão, a União Europeia, os Estados Unidos”, acrescentou.

O Brasil encontra-se em um impasse nas conversas bilaterais e plurilaterais devido a uma resolução aprovada no âmbito do Mercosul, segundo a qual tais acordos teriam que ser chancelados por todos os países membros do bloco.

Ao ser criticado por Lia Valls, coordenadora de comércio exterior da Ibre/FGV, para quem tal propensão a acordos com países desenvolvidos teria o potencial de expor a economia brasileira a mercados com os quais não tem condições de competir, Barbosa disse que o plano tucano prevê a integração da política externa com as políticas econômica e industrial.

“Essa inserção externa do Brasil vai ser feita concomitantemente com as reformas internas para melhorar a competitividade e reduzir o custo Brasil", disse Barbosa.

"Ninguém vai fazer abertura bilateral e sair fazendo acordos por aí. Um acordo com os EUA não está na pauta, ninguém esta pensando em fazer imediatamente esse acordo com os EUA”, acrescentou.

O governo da presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição, alega que está engajado em negociações com o bloco regional para o avanço de um acordo com a UE, o que foi negado por Barbosa.

“Não está sendo conversado nada. É o que estão falando, mas não está”, afirmou a jornalistas após o evento.

MERCOSUL

De acordo com o mentor do planejamento tucano para política externa, caso Aécio vença, o Brasil mudará sua atitude de “aceitar tudo” que os outros países do Mercosul impõem, citando como exemplo as medidas protecionistas implementadas pelo governo argentino no setor automotivo. Ressaltou, porém, que nada será feito de maneira abrupta.

“Ninguém vai impor nada, isso tudo é conversado e negociado. Não vamos quebrar o Mercosul, não vai ser nada dramático”, disse.

O Brasil assume a presidência rotativa do Mercosul no dia 1º de janeiro e os tucanos defendem que, no caso da persistência de um impasse, a resolução 32, que restringe a negociação de acordos bilaterais, seja revista.

Barbosa, que foi embaixador do Brasil em Londres e Washington, criticou o que chamou “ideologização” nas relações internacionais brasileiras, para ele submetidas a interesses “conjunturais de governo”.

Por Felipe Pontes

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