NSA analisa possível conflito de interesse em segundo emprego de alto funcionário

sexta-feira, 17 de outubro de 2014 20:00 BRT
 

Por Warren Strobel e Mark Hosenball

WASHINGTON (Reuters) - A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) iniciou uma investigação interna sobre um funcionário de alto escalão que presta serviços a uma empresa particular fundada pelo ex-chefe da agência Keith Alexander, o que pode configurar um conflito de interesses entre o governo e a empresa.

Pelo acordo, confirmado por Alexander e por agentes de inteligência, o técnico-chefe da NSA, Patrick Dowd, tem permissão de trabalhar até 20 horas por semana na IronNet Cybersecurity Inc, a empresa de Alexander, seu ex-chefe e general aposentado do Exército.

O arranjo foi aprovado pelos principais administradores da agência, afirmaram funcionários atuais e antigos. Embora não pareça violar nenhuma lei, não foi possível averiguar se Dowd já começou a trabalhar de fato para Alexander, que se aposentou da NSA em março.

Em um comunicado em resposta a perguntas da Reuters, a porta-voz da NSA, Vanee Vines, disse: “Este assunto está sob investigação interna. A NSA não comente sobre empregados específicos e leva a sério as leis sobre ética e os regulamentos em todos os níveis da organização”.

Autoridades de inteligência atuais e antigas, algumas das quais solicitaram anonimato para discutir questões pessoais, declararam não conseguir se lembrar de nenhuma circunstância na qual um agente de inteligência de alto escalão tivesse permissão de trabalhar simultaneamente no setor privado.

Elas disseram que o caso implica o risco de um conflito de interesses entre o trabalho governamental sigiloso e o negócio particular, e que poderia ser visto como a concessão de um privilégio à empresa de Alexander.

A IronNet Cybersecurity está desenvolvendo uma nova abordagem para proteger redes de computadores de invasores e a está oferecendo a instituições financeiras e outras corporações.

Alexander, diretor mais longevo da agência especializada em escutas e decodificações, confirmou o arranjo com Dowd em entrevista à Reuters. Ele afirmou crer que tenha sido aprovado por todas as autoridades governamentais cabíveis, e que a IronNet Cybersecurity, e não o governo, irá pagar pelo tempo que Dowd irá dedicar à empresa.   Continuação...