Médicos cubanos sentem orgulho de arriscar vidas em missão contra Ebola

terça-feira, 21 de outubro de 2014 21:17 BRST
 

Por Daniel Trotta

HAVANA (Reuters) - Médicos e enfermeiros cubanos que partem para a África Ocidental para combater o Ebola se consideram sortudos. Entre os 15 mil profissionais que se ofereceram, eles estão entre apenas os 256 que foram selecionados para o trabalho.

"Houve brigas, discussões acaloradas, com alguns médicos perguntando: 'Como é que o meu colega vai e eu não posso?'", disse o doutor Adrian Benitez, de 46 anos, nesta terça-feira, poucas horas antes de embarcar para a Libéria.

Apesar de um alarme global sobre o pior surto de Ebola na história, médicos cubanos estão ansiosos para viajar à África Ocidental e começar a curar os doentes.

Apelidados de "Exército de jalecos brancos" e citando uma longa história de missões médicas cubanas na África e em outros lugares, eles falam de um sentido de dever e estão dispostos a assumir os riscos.

"Sabemos que estamos lutando contra algo que não compreendemos totalmente. Sabemos o que pode acontecer. Sabemos que estamos indo para um ambiente hostil", disse Leonardo Fernández, de 63 anos. "Mas é nosso dever. É assim que fomos educados."

O vírus Ebola já matou mais de 4.500 pessoas desde março, a maioria em Serra Leoa, Guiné e Libéria. Os números incluem mais de 200 trabalhadores da saúde.

Um total de 165 médicos e enfermeiros cubanos já chegou a Serra Leoa e outros 91 estavam viajando nesta terça-feira para missões de seis meses, sendo 53 destinados à Libéria e 38 a Guiné.

No entanto, outros 205 médicos passaram por um curso de formação de três semanas em Cuba, com extensa prática no uso das vestimentas de proteção, mas ainda têm de ser autorizados a integrar a missão contra o Ebola.   Continuação...

 
Médico cubano Adrian Benitez antes de viagem para a Libéria para ajudar a combater o Ebola.  REUTERS/Enrique De La Osa