Campanha de Dilma conclui programa de governo e decide não divulgá-lo na reta final da eleição

quinta-feira, 23 de outubro de 2014 13:39 BRST
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA (Reuters) - O programa de governo da presidente Dilma Rousseff (PT) para um eventual segundo mandato foi concluído, mas não será divulgado para não se tornar um potencial fator de "ruído" na reta final da disputa eleitoral, informaram à Reuters fontes da campanha e do governo.

"As propostas estão prontas, mas não serão apresentadas. De agora até domingo vai tudo ficar como está", disse uma fonte da campanha com conhecimento do programa, informando que a orientação é evitar fatos que possam colocar em risco a vantagem numérica de Dilma sobre o candidato do PSDB, Aécio Neves, nas pesquisas de intenção de votos.

Pesquisa do Datafolha divulgada durante a madrugada de quarta-feira confirmou a liderança numérica de Dilma. De acordo com o levantamento, a presidente que tenta a reeleição tem 52 por cento dos votos válidos e o tucano, 48 por cento, em empate no limite da margem de erro.[nL2N0SH0FY]

Após o primeiro turno da eleição presidencial a equipe da campanha da presidente, que tenta a reeleição pelo PT, pediu a diferentes áreas do governo propostas a serem unificadas em um programa com a finalidade de diferenciar a plataforma de governo de Dilma da diretriz política de Aécio.[ID:nE6N0PY027]

As propostas foram enviadas à coordenação da campanha petista e compuseram um levantamento mais amplo com indicações de continuidade e expansão de projetos em diferentes áreas a exemplo de saúde, educação e em programas sociais.

Segundo informou uma fonte do governo, as propostas enviadas também serviram para preparar a presidente para os debates do segundo turno.

De acordo com essa fonte, que falou sob condição de anonimato, a campanha optou por não fazer a divulgação do programa de governo por considerar que a apresentação do documento na reta final da disputa presidencial poderia ser fator de questionamentos, com potencial para dar munição ao adversário nos últimos dias que antecedem o pleito.

Ainda de acordo com a mesma fonte, a ideia é evitar situações de constrangimentos como os enfrentados pela candidata Marina Silva (PSB), terceira colocada no primeiro turno, que após apresentar o programa precisou fazer uma revisão e foi alvo de críticas ao recuar sobre sua proposta de legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.   Continuação...

 
Presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, durante debate na TV Record, em São Paulo. 19/10/2014.  REUTERS/Nacho Doce