Eleição com nervos à flor da pele deixa país dividido

sexta-feira, 24 de outubro de 2014 15:28 BRST
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - O voto no domingo encerrará a eleição presidencial mais emocional que o país viveu no período recente, marcada pela morte de um candidato à Presidência no meio da disputa, pela espetacular arrancada de outro candidato para chegar ao segundo turno e por uma reta final de radicalização exacerbada.

A presidente Dilma Rousseff, que concorre à reeleição pelo PT, e seu marqueteiro João Santana apostaram forte na emoção no começo da campanha na TV, contando histórias dramáticas com finais felizes de brasileiros que superaram dificuldades e tiveram conquistas graças aos programas do governo.

Quando a propaganda na TV começou, no entanto, era difícil superar a comoção causada pela trágica morte seis dias antes do então candidato do PSB, Eduardo Campos, em um acidente aéreo em Santos.

"Não vamos desistir do Brasil", frase dita por Campos na entrevista ao Jornal Nacional na véspera de sua morte, ecoava em boa parte do eleitorado e impulsionava a subida nas pesquisas de Marina Silva, que o substituiria na cabeça de chapa do PSB.

A ex-senadora saltou de 21 por cento das intenções de voto para 34 por cento em 15 dias, passando Aécio e empatando com Dilma, segundo o Datafolha. E chegou a apresentar uma vantagem de 10 pontos percentuais em relação a Dilma numa eventual disputa de segundo turno.

A decisão de Marina de assumir a candidatura também despertou reações. Inicialmente, não era uma unanimidade no PSB conduzir a ex-senadora, filiada à legenda a menos de um ano, ao lugar de Campos como candidata a presidente. Marina juntou-se ao PSB depois da tentativa fracassada de criar seu partido, a Rede Sustentabilidade

Quando se tornou presidenciável pelo PSB houve uma troca da coordenação da campanha. O então secretário-geral do partido, Carlos Siqueira, hoje presidente da legenda, deixou o posto de coordenador alegando que não trabalharia com "uma hospedeira", que não respeitava o PSB.

Naquele momento, as campanhas de Dilma e Aécio estavam atordoadas com a arrancada de Marina nas pesquisas. Os petistas tentavam refazer a estratégia, montada toda para a polarização com o PSDB, enquanto a campanha tucana entrou em pane, quando as intenções de voto em Aécio caíram a 14 por cento no final de agosto.   Continuação...

 
Presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, em fotos tiradas durante debate presidencial. REUTERS/Paulo Whitaker