PERFIL-Quase 30 anos após "peça" pregada em Tancredo, Aécio pode levar sobrenome ao Planalto

sexta-feira, 24 de outubro de 2014 15:49 BRST
 

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - Quase 30 anos após a morte de Tancredo Neves, que o impediu de assumir a Presidência, seu neto Aécio Neves pode finalmente colocar a faixa presidencial no peito de um membro do clã, caso vença a eleição de domingo.

Apontado como futuro candidato do PSDB ao Planalto desde que ganhou destaque nacional como presidente da Câmara dos Deputados em 2001, Aécio lembrou por várias vezes na campanha a herança política do avô, recordando o parentesco em sua propaganda no rádio e na TV e usando, inclusive, o mesmo slogan adotado pela campanha que deu a Tancredo a vitória na eleição indireta em 1985: "Muda Brasil".

"Ele sempre teve um papel extremamente estratégico - de um grande conselheiro e de um grande amigo e continuará a ter", disse Aécio sobre a influência do avô em sua vida pública, ao comemorar sua chegada ao segundo turno da eleição presidencial, depois de uma virada impressionante na qual tirou 20 pontos de desvantagem nas pesquisas de intenção de voto para superar Marina Silva (PSB).

Garantido no segundo turno, e possivelmente aliviado por ter evitado o pior desempenho de um presidenciável do PSDB desde 1989, Aécio precisou recorrer ao seu DNA para atuar como conciliador e atrair para si o apoio de Marina, do PSB e de outros candidatos derrotados no primeiro turno, como pastor Everaldo (PSC) e Eduardo Jorge (PV).

Citado por diversas vezes durante a campanha tucana, Tancredo tinha uma frase atribuída a ele na qual afirmaria: "Presidência da República é destino." Aécio lembrou durante a campanha que "uma peça" pregada por esse mesmo destino impediu o avô de subir a rampa do Planalto. Ele, no entanto, começou a construir seu próprio destino há 13 anos.

Visto por aliados como gestor eficiente e por adversários como "playboy" e censor da imprensa mineira, Aécio começou a trilhar o caminho que agora pode levá-lo ao Planalto ao ganhar notoriedade em 2001 como presidente da Câmara dos Deputados e reforçou essa trajetória ao fazer dois governos bem avaliados em Minas Gerais, de 2003 a 2010.

“Eu acho que o Aécio combina uma extraordinária habilidade política, para a política partidária, para as composições eleitorais, com uma clareza muito grande de objetivos, do que ele quer atingir", disse o senador paulista Aloysio Nunes (PSDB), candidato a vice na chapa de Aécio, em entrevista recente à Reuters na qual também rebateu a fama de "playboy" do presidenciável tucano.

“Ele é um sujeito que gosta da vida. Gosta de comer bem, gosta de amigos, gosta de tomar os seus aperitivos. É uma pessoa normal. Agora, é extremamente disciplinado. O Aécio é um sujeito muito disciplinado e trabalhador. Não apenas na política, mas na administração. Foi um excelente governador de Minas Gerais.”   Continuação...

 
Candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, em entrevista coletiva no Rio de Janeiro. 23/10/2014 REUTERS/Sergio Moraes