Rússia planeja voos de bombardeiros perto de águas norte-americanas, diz agência

quarta-feira, 12 de novembro de 2014 21:05 BRST
 

MOSCOU (Reuters) - A Rússia declarou nesta quarta-feira que planeja enviar bombardeiros de longo alcance em voos de patrulha sobre águas norte-americanas, inclusive sobre o Golfo do México, mas o Pentágono minimizou a missão de Moscou dizendo se tratar de treinamento de rotina em espaço aéreo internacional.

O anúncio do ministro russo da Defesa, Sergei Shoigu, ocorreu poucos dias depois de a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ter identificado algumas incursões russas no espaço aéreo europeu, incluindo formações mais complexas de aeronaves voando em rotas mais "provocadoras".

Shoigu disse que os voos ao longo da fronteira da Federação Russa e sobre o Oceano Ártico estão previstos como parte de um treinamento para operações de longo alcance, de acordo com a agência de notícias estatal Itar Tass.

"Na situação atual, precisamos garantir nossa presença militar na parte oeste do (Oceano) Atlântico, na parte leste do Pacífico e nas águas do Caribe e do Golfo do México", acrescentou.

No Pentágono, o coronel e porta-voz Steve Warren afirmou que toda nação tem direito de operar em águas internacionais e no espaço aéreo internacional.

"Os russos já patrulharam o Golfo (do México) antes, e vimos a Marinha russa operar no Golfo do México. São águas internacionais", disse Warren.

"É importante que os russos conduzam suas operações em segurança e de acordo com os padrões internacionais."

As relações entre Moscou e o Ocidente azedaram por conta da crise na Ucrânia, na qual Kiev enfrenta uma rebelião de separatistas pró-Rússia no leste do país.

Os voos de patrulha com bombardeiros, uma prática dos tempos da Guerra Fria, foram encerrados depois da dissolução da União Soviética, mas o presidente russo, Vladimir Putin, ressuscitou a prática em 2007.

(Reportagem de Thomas Grove; com reportagem adicional de Phil Stewart, em Washington)

 
Um bombardeiro russo TU-95 voa a noroeste da ilha de Okinoshima, no Japaão, em agosto do ano passado. 22/08/2013 REUTERS/Ministério da Defesa do Japão/Divulgação