EUA e Cuba vão reatar relações diplomáticas depois de 54 anos

quarta-feira, 1 de julho de 2015 09:40 BRT
 

Por Daniel Trotta e Lesley Wroughton

HAVANA/WASHINGTON (Reuters) - Estados Unidos e Cuba estão prestes a anunciar o restabelecimento das relações diplomáticas nesta quarta-feira, como resultado de uma reaproximação de dois anos entre os ex-rivais da Guerra Fria, que romperam os laços diplomáticos em 1961.

O chefe da Seção de Interesses dos EUA em Havana se apresentará ao Ministério das Relações Exteriores de Cuba por volta das 10h (horário de Brasília) para entregar uma carta do presidente norte-americano, Barack Obama, ao presidente cubano, Raúl Castro.

Obama, então, falará, às 12h do Rose Garden, na Casa Branca. Não se sabe se Raúl irá retribuir também com uma declaração.

Na sequência de 18 meses de negociações secretas mediadas pelo papa Francisco e Canadá, os dois líderes anunciaram em dezembro em separado, mas simultaneamente, que planejavam reabrir embaixadas nas capitais um do outro e normalizar as relações.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, é esperado em uma cerimônia de hasteamento da bandeira em Havana no final deste mês, quando a Seção de Interesses vai passar à condição de embaixada. A missão de Cuba em Washington passará por uma atualização semelhante.

O acordo de dezembro também incluiu uma troca de prisioneiros e tentou deixar para a história 56 anos de recriminações mútuas desde que os rebeldes comandados por Fidel Castro derrubaram o governo de Fulgencio Batista, apoiado pelos EUA, em 1º de janeiro de 1959.

Dois anos mais tarde, o presidente norte-americano, Dwight Eisenhower, fechou a embaixada dos EUA em Havana, em 3 de janeiro de 1961, menos de três semanas antes de o presidente eleito, John F. Kennedy, tomar posse. Em abril do mesmo ano Kennedy iria autorizar a invasão de Cuba pelos EUA, organizada por uma força de exilados cubanos. O ataque à Baía dos Porcos falhou e reforçou a posição de Fidel no país e no exterior.

Em outubro de 1962, Washington e Moscou quase foram à guerra nuclear por causa de mísseis soviéticos estacionados em Cuba.   Continuação...

 
Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e presidente de Cuba, Raúl Castro, durante encontro no Panamá.  11/04/2015    REUTERS/Jonathan Ernst