ANÁLISE-Pressão de procuradores dos EUA pode ser melhor chance para reformar a Fifa

segunda-feira, 27 de julho de 2015 15:10 BRT
 

Por Mica Rosenberg

NOVA YORK (Reuters) - Procuradores norte-americanos podem tentar estabelecer um monitor escolhido por um tribunal para assegurar que a Fifa se recupere de escândalos de corrupção no futebol, de acordo com advogados que ajudaram companhias e outras entidades afetadas por problemas durante períodos de reforma.

A decisão da Fifa na semana passada de estabelecer sua própria força-tarefa para propor reformas foi alvo de críticos que dizem que a organização se mostrou, durante muitos anos, incapaz de se transformar sozinha.

Os principais patrocinadores da Fifa, como Coca-Cola e Visa, se juntaram a grupos anticorrupção que exigem que a Fifa aceite em estabelecer uma comissão de reforma inteiramente independente. O diretor-executivo da Visa, Charlie Scharf, disse na quinta-feira que a resposta da Fifa sobre as acusações de corrupção foram "totalmente inadequadas" e mostraram uma falta de consciência da necessidade de mudança.

Mas há poucos sinais de que a organização sediada em Zurique vai voluntariamente atender aos pedidos por uma comissão independente ou mudanças maiores.

Outro caminho para a reforma poderia surgir do caso no tribunal norte-americano contra nove atuais e ex-dirigentes da Fifa e grupos relacionados, mais cinco executivos. Todos foram acusados em maio de crimes relacionados a propinas, inclusive o ex-presidente da CBF José Maria Marin. Procuradores afirmam que a investigação está longe de terminar.

Especialistas legais dizem que em muitos outros casos monitores externos foram colocados por procuradores dos EUA para limpar a corrupção ou outros comportamentos ruins em organizações, como grandes bancos.

Michael Cherkasky, que agora serve como o monitor do grupo bancário HSBC após acusações de lavagem de dinheiro, disse que procuradores poderiam decidir levar o caso Fifa para além de acusações individuais.

"O que descobrimos é que colocar alguém na cadeia não muda a cultura de uma organização", disse Cherkasky, ex-procurador que também foi um monitor no Departamento de Polícia de Los Angeles. "Se você tem um problema estrutural-cultural, onde existe uma enorme habilidade de pessoas no poder para criar grandes lucros e agirem de forma corrupta, então a próxima pessoa geralmente toma vantagem desta estrutura", disse.   Continuação...

 
Entrada de prédio da Fifa em Zurique. 20/07/2015   REUTERS/Arnd Wiegmann