Ações do setor financeiro recuam com dúvidas sobre JCP e ingerência em bancos públicos

quarta-feira, 19 de agosto de 2015 11:08 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Ações do setor financeiro recuavam na Bovespa nesta quarta-feira, conforme seguem dúvidas sobre o risco de fim do mecanismo de juros sobre capital próprio (JCP) e com anúncios de apoio por parte da Caixa e do Banco do Brasil ao setor automovio reavivando preocupações sobre o uso de bancos públicos para estimular a economia.

Às 11h07, o índice que reúne os papéis da indústria financeira na bolsa paulista caía 2,19 por cento. As ações do BB eram as mais afetadas, com baixa de 4,13 por cento.

Após retirar a proposta para o fim do mecanismo de JCP em relatório sobre medida provisória que trata da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de instituições financeiras, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse na terça-feira que apresentará nesta semana projeto no Senado para remoção do benefício.

Em nota a clientes, o Credit Suisse disse que o recuo inicial da senadora com a reapresentação da proposta via projeto de lei pode fazer com que o assunto demore mais a tramitar no Congresso até sua votação na Câmara e no Senado.

Também na terça-feira, a Caixa Econômica Federal anunciou medidas de apoio à indústria automotiva e de autopeças na forma de condições especiais em linhas de crédito para capital de giro e investimento. Além disso, o banco federal informou que avalia ampliar a ajuda a outros setores.

Nesta manhã, o BB anunciou acordos com entidades representativas do setor automotivo para apoio a fornecedores do setor, com desembolso de 3,1 bilhões de reais até o fim de 2015.

De acordo com profissionais da área de renda variável consultados pela Reuters, as medidas afetam principalmente os bancos envolvidos nas operações, diante da percepção de ingerência política na Caixa e no BB, como ocorreu durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

Mas a iniciativa acaba tendo efeito sobre os bancos privados, que podem se ver pressionados pelos rivais estatais.

"A maior preocupação é interferência, com o governo voltando a usar os bancos públicos para pressionar os privados", disse um desses profissionais, falando sob condição de anonimato.   Continuação...