Bancos públicos ampliam crédito e ação do BB cai 6% por temor de ingerência política

quarta-feira, 19 de agosto de 2015 18:07 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 19 Ago (Reuters) - O Banco do Brasil seguiu a Caixa Econômica Federal e revelou nesta quarta-feira uma ofensiva no crédito para indústrias afetadas pela crise econômica, assustando investidores que temem ingerência política sobre o setor financeiro, numa espécie de reprise do que aconteceu no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

Tanto o BB quanto a Caixa anunciaram inicialmente medidas de apoio específicas a empresas do setor automotivo, importante empregador no país. Mas ambos informaram que outras áreas poderão ser contempladas.

O BB foi além, ampliando em 15 bilhões de reais o chamado "limite sistêmico". Na prática, isso poderá ampliar a concentração da carteira de crédito do maior banco do país e, portanto, a exposição da instituição a determinados setores e grupos econômicos.

Apesar de executivos do BB afirmarem que as medidas no crédito terão efeito neutro sobre os níveis de inadimplência, as ações do banco, listado na Bovespa diferentemente da Caixa, fecharam em baixa superior a 6 por cento na bolsa paulista.

"A queda das ações é explicada principalmente pela natureza do programa, que embute interferência do governo e, por isso, pode aumentar a percepção de risco à governança corporativa", escreveu o Credit Suisse em nota a clientes.

Os últimos anos do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lulca da Silva e o primeiro mandato de Dilma foram marcados por sucessivas injeções de capital nos bancos públicos, para garantir a oferta de crédito na economia após crise financeira e econômica global de 2008 e 2009.

A estratégia resultou em forte elevação da dívida bruta do Brasil e a equipe econômica do atual governo de Dilma, liderada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, assegurou que a política de usar os bancos públicos tinha terminado.

Nesta manhã, Levy disse que as novas linhas de crédito abertas por BB e Caixa ao setor automotivo têm perfil comercial e não vão afetar o ajuste das contas públicas em curso.   Continuação...