21 de Agosto de 2015 / às 20:29 / em 2 anos

Coreia do Norte coloca militares em alerta de guerra contra Coreia do Sul

Líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un (centro), durante reunião de emergência na Comissão Militar Central, nesta foto sem data divulgada nesta sexta-feira pela agência estatal KCNA. 21/08/2015 REUTERS/KCNA

SEUL (Reuters) - A Coreia do Norte colocou suas tropas em alerta de guerra nesta sexta-feira, quando a Coreia do Sul rejeitou um ultimato para que pare de usar transmissões de propaganda política para não sofrer uma ação militar, levando a China a externar sua preocupação e exortar os dois lados a recuar.

O vice-ministro da Defesa sul-coreano, Baek Seung-joo, disse que seu governo acredita que o Norte irá disparar contra um dos 11 locais onde Seul instalou alto-falantes de seu lado da Zona Desmilitarizada que separa os dois países.

O Sul já tinha rejeitado um ultimato para interromper quaisquer emissões anti-Pyongyang até a tarde de sábado local para evitar um ataque.

O Ministério das Relações Exteriores norte-coreano declarou em comunicado que os militares e o público estão prontos para salvaguardar o regime, mesmo que isso signifique uma guerra propriamente dita, e repudiou a ideia de moderação, aparentemente esnobando os clamores chineses.

A mídia oficial declarou que os militares de Pyongyang não estão blefando.

A China, que continua sendo a principal parceira econômica da reclusa Coreia do Norte, apesar de ver sua influência política sobre o governo norte-coreano diminuir, disse estar profundamente preocupada com a escalada da tensão no local e pediu calma aos dois lados.

Desde que a guerra da Coreia entre 1950 e 1953 terminou em uma trégua, e não em um tratado de paz, Pyongyang e Seul vêm trocando ameaças com frequência e dezenas de soldados morreram em confrontos, mas as duas partes sempre evitaram uma guerra total.

O episódio de hostilidade mais recente é um novo golpe para os esforços da presidente sul-coreana, Park Geun-hye, de melhorar os laços com o vizinho do norte, virtualmente congelados desde o naufrágio de um barco da Marinha da Coreia do Sul em 2010, que deixou mortos e que Seul atribui a Pyongyang.

Park cancelou um evento nesta sexta-feira e fez uma visita a um posto de comando militar vestindo um uniforme camuflado do Exército. Os dois lados se envolveram em uma retórica áspera durante a noite da sexta-feira local.

O Norte cometeu “atos criminosos covardes”, afirmou o ministro da Defesa sul-coreano, Han Min-koo. “Desta vez, podem ter certeza de que irei pôr fim ao ciclo doentio de provocações da Coreia do Norte.”

A Coreia do Norte fez quatro disparos de artilharia contra a Coreia do Sul na quinta-feira, de acordo com Seul, um aparente protesto contra as transmissões. O Sul reagiu com 29 disparos de artilharia e foi acusado por Pyongyang de inventar um pretexto para alvejar o Norte.

Nenhum dos lados relatou baixas ou danos em seu território, indicando que os disparos foram somente tiros de alerta.

Os Estados Unidos retomaram seus exercícios militares anuais com a Coreia do Sul, após uma breve suspensão para coordenador com Seul a situação na fronteira, afirmou uma autoridade norte-americana nesta sexta-feira.

Reportagem adicional de Choonsik Yoo, Hooyeon Kim e Jack Kim, em Seul; de Megha Rajagopalan, em Pequim; de David Brunnstrom, em Washington; e de Arshad Mohammed

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