Veterano intersexual da Marinha dos EUA processa governo por ter passaporte negado

terça-feira, 27 de outubro de 2015 11:11 BRST
 

Por Keith Coffman

DENVER (Reuters) - Um veterano da Marinha dos Estados Unidos que não se identifica nem como homem nem como mulher abriu processo contra o Departamento de Estado dos EUA por ter tido um passaporte negado em razão de não ter escolhido um gênero no formulário, revelaram documentos da Justiça.

Dana Zzyym, do Estado do Colorado, afirmou na ação civil federal de discriminação, apresentada na Corte Distrital de Denver, que é uma violação constitucional forçar um indivíduo intersexual a escolher entre masculino e feminino no passaporte para poder viajar ao exterior.

“Não sou homem, não sou mulher, sou intersexual, e não deveria ter que escolher uma classificação de gênero para meu documento de identificação oficial que não sou eu”, disse Zzyym em comunicado.

A ação civil menciona o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o diretor da agência de passaportes de Colorado como réus. O Departamento de Estado não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

Zzyym nasceu em 1958 com “características sexuais exteriores ambíguas”, e a opção de gênero de sua certidão de nascimento foi deixada em branco, afirma a ação.

Os pais e o médico de Zzyym decidiram que “Dana seria criado como menino” com o nome Brian Orin Whitney, e “masculino” foi adicionado mais tarde à sua certidão de nascimento, explica o processo.

“Assim como muitas outras crianças intersexuais, aos cinco anos Dana havia sido submetido a diversas cirurgias irreversíveis, invasivas, dolorosas e medicamente desnecessárias para fazer com que o corpo de Dana se conformasse aos estereótipos sexuais binários”, diz a queixa.

Whitney se alistou na Marinha dos EUA em 1978 e serviu como ajudante de maquinista durante três excursões a Beirute e uma no Golfo Pérsico, segundo a ação.

Tendo deixado a Marinha em 1984, Whitney mais tarde se deu conta de que a identificação de gênero era “arbitrária” e tentou viver como mulher, o que tampouco lhe conveio, de acordo com o processo. Por fim Whitney adotou o nome Dana Zzyym e teve um passaporte recusado no ano passado, quando tentava viajar para a Cidade do México para participar do Fórum Internacional de Intersexualidade.