Comando naval chinês diz aos EUA que mínimo incidente pode provocar guerra no mar do Sul da China

sexta-feira, 30 de outubro de 2015 08:53 BRST
 

Por Ben Blanchard e Andrea Shalal

PEQUIM/WASHINGTON (Reuters) - O comandante naval da China disse a seu colega norte-americano que um pequeno incidente pode deflagrar uma guerra no mar do Sul da China se os Estados Unidos não pararem com os seus "atos provocativos" nesse corredor marítimo, alvo de disputas de vários países, informou a Marinha chinesa nesta sexta-feira.

O almirante Wu Shengli fez os comentários ao chefe de operações navais dos EUA, almirante John Richardson, durante uma videoconferência na quinta-feira, de acordo com um comunicado naval chinês.

Os dois oficiais conversaram depois que um navio de guerra norte-americano navegou a menos de 12 milhas náuticas de uma das ilhas artificiais feitas pela China no contestado arquipélago Spratly, na terça-feira.

A China censurou os EUA pelo patrulhamento, o desafio mais significativo dos norte-americanos aos limites territoriais reivindicados pela China em torno de suas sete ilhas artificiais, em uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo.

"Se os Estados Unidos continuarem com esse tipo de ato perigoso, provocativo, isso poderia muito bem ser uma situação de séria pressão entre forças da linha de frente de ambos os lados no mar e no ar, ou mesmo um pequeno incidente que deflagre uma guerra", disse Wu, de acordo com o comunicado.

"Espero que o lado dos EUA valorize a boa situação entre as marinhas da China e dos Estados Unidos, que não emergiu facilmente, e evite que esse tipo de incidente volte a acontecer", disse Wu.

Falando mais cedo, uma autoridade dos EUA disse que os comandantes navais concordaram em manter o diálogo e seguir os protocolos para evitar confrontos.

As visitas de navios chineses e norte-americanos a portos e as viagens de altos oficiais da Marinha dos EUA à China permanecem na agenda, disse o funcionário. "Nada disso está em perigo. Nada foi cancelado", afirmou.

(Reportagem de Ben Blanchard, Michael Martina e Wini Zhou em Pequim, Andrea Shalal, David Brunnstrom e Yegenah Torbati em Washington, Anthony Deutsch em Amsterdã e Manuel Mogato em Manila)

 
Destróier norte-americano USS Lassen visto no Oceano Pacífico.    Foto tirada em 2009 pela Marinha dos Estados Unidos.  REUTERS/US Navy/CPO John Hageman/Handout via Reuters