ESTREIA-“Amizade Desfeita” inova ao contar história de terror a partir da tela do computador

quarta-feira, 11 de novembro de 2015 15:29 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O surgimento do “found footage”, com o precursor italiano “Holocausto Canibal” (1980) e o divisor de águas “A Bruxa de Blair” (1999), ecoou, em termos visuais e narrativos, o estabelecimento da tecnologia no cotidiano das pessoas.

Elevado à categoria de um subgênero, os filmes que utilizam o recurso das imagens documentais e subjetivas acompanharam o "boom" dos VHS e filmadoras até as onipresentes câmeras de celulares e de serviços de segurança, tornando-se uma fórmula muito desgastada dentro do horror.

Por isso, era até surpreendente que algum realizador não houvesse pensado ainda na evolução óbvia do “found footage” dentro das potencialidades de ambientação em uma sociedade que tem, hoje, a internet como parte indissociável de sua vida.

O georgiano Levan Gabriadze aparece como um dos pioneiros com seu “Amizade Desfeita”, longa que explora a dinâmica e os horrores da web 2.0 e recebeu uma menção especial do júri e o prêmio de filme mais inovador no canadense Fantasia Film Festival.

A produção é inventiva dentro de sua proposta e baixo orçamento, ao contar a história a partir de uma tela de computador, em tempo real.

O trabalho de Gabriadze ganha pontos na familiaridade construída ao colocar a “sua câmera” como um simples reprodutor do ecrã do Macbook da protagonista Blaire (Shelley Hennig, da série “Teen Wolf”) e simular no seu público-alvo a sensação de estar navegando frenética e randomicamente em seu próprio notebook.

A personagem olha o Facebook entre um videochat com amigos no Skype, enquanto conversa por mensagens com o namorado Mitch (o também comediante Moses Storm), assiste vídeos no YouTube e faz pesquisas no Google, ao som de seu player no Spotify. A possibilidade de se tornar datado em poucos anos é um risco, mas a chance de o filme ter mais repercussão quando for visto em dispositivos digitais também é grande, pois seria onde seu “terror” ganharia mais dimensão.

A trama em si é uma mistura do popular romance de Agatha Christie “E Não Sobrou Nenhum (O Caso dos Dez Negrinhos)” e de “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado” (1997), longa de Jim Gillespie, com toques de “O Chamado” (2002)/”Ringu” (1998), em uma crítica ao cyberbullying. Exatamente um ano após o suicídio de Laura Barns (Heather Sossaman), cujo registro deste momento repercutiu no YouTube, assim como o vídeo que humilhou a garota e a levou a cometer tal ação, ex-colegas dela são surpreendidos enquanto conversam no Skype.

Um usuário desconhecido permanece no chat e não consegue ser retirado, até se revelar como a própria Laura– que pode ser um hacker, um grupo de trolls ou o espírito da falecida–, que vem impor a eles uma espécie de “verdade e consequência” virtual e mortal, expondo uma série de segredos obscuros de cada um.   Continuação...