Compra de Pasadena pela Petrobras pode ser cancelada, diz MPF

segunda-feira, 16 de novembro de 2015 14:18 BRST
 

Por Sérgio Spagnuolo

CURITIBA (Reuters) - Os investigadores da operação Lava Jato encontraram indícios de recebimento de propina por parte de ex-funcionários da Petrobras (PETR4.SA: Cotações) em relação à compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, o que pode resultar no cancelamento do negócio, disseram investigadores nesta segunda-feira.

“Pudemos aprofundar as investigações e nós já temos nomes de funcionários e colaborações que indicam o recebimento de propinas”, disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, do Ministério Público Federal, em entrevista coletiva em Curitiba, onde estão concentradas as investigações da Lava Jato.

“É importante este caso porque, quem sabe, com estas provas, nós consigamos, talvez, ou anular a compra, ou quem sabe talvez ressarcir o patrimônio público brasileiro”, acrescentou.

A controversa aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006, é investigada por vários órgãos. A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou em dezembro do ano passado perdas de 659,4 milhões de dólares da Petrobras na compra da refinaria.

Ao final do processo de aquisição, a estatal pagou 1,25 bilhão de dólares por Pasadena e ainda teve de fazer investimentos de 685 milhões de dólares em melhorias operacionais e manutenção.

A compra da “ruivinha” –chamada assim por causa da ferrugem na refinaria, segundo Lima– foi um “péssimo negócio” em que muitos se beneficiaram, disse o procurador.

“Tudo indica que era um contrato que não tinha a menor razão de ser e aparentemente utilizado exclusivamente para viabilizar esse dinheiro sujo no mercado, para os operadores e funcionários”, disse o delegado da PF Igor Romário de Paula.

Houve pagamento de propina por parte da Astra Oil, empresa que vendeu a refinaria à estatal, a então funcionários da Petrobras, afirmou Lima.   Continuação...