10 de Fevereiro de 2016 / às 15:40 / 2 anos atrás

Cientistas da Ásia aceleram busca por exame de Zika, mas falta de amostra viva é obstáculo

NOVA DÉLHI/CINGAPURA (Reuters) - Cientistas da Ásia estão correndo para criar exames de detecção do Zika vírus, e a China confirmou seu primeiro caso do vírus nesta quarta-feira, mas falta aos pesquisadores um elemento crucial – uma amostra viva do vírus.

O Zika, possível causador de microcefalia em mais de 4 mil recém-nascidos no Brasil depois de se disseminar por boa parte das Américas, é particularmente preocupante para o sul e o sudeste da Ásia, onde doenças tropicais transmitidas por mosquitos, como a dengue, são uma ameaça constante.

A Índia está trabalhando em um teste de diagnóstico do vírus, já que não existe exame comercialmente disponível no segundo país mais populoso do mundo, mas a inexistência de uma amostra viva do vírus está prejudicando seus esforços.

Uma cepa de 1950 foi encontrada morta e considerada inadequada para pesquisas, disse Soumya Swaminathan, diretora-geral do Conselho Indiano de Pesquisa Médica (ICMR, na sigla em inglês), entidade estatal que lidera a pesquisa biomédica.

"Queremos uma para nossa pesquisa", afirmou Soumya, referindo-se à amostra viva. "Em um país grande como a Índia, precisamos dela".

A Índia entrou em contato com agências internacionais, entre elas a Organização Mundial de Saúde (OMS), em busca de uma amostra, declarou o conselho.

"Se a conseguirmos, podemos desenvolver um exame e procedimentos de teste dentro de um mês", disse uma autoridade do conselho, que não quis se identificar por não ter autorização de falar à imprensa.

Na abastada cidade-Estado de Cingapura, os cientistas estão trabalhando em um teste de diagnóstico para detectar simultaneamente os vírus da Zika, dengue e chikungunya, que são transmitidos pelo mesmo tipo de mosquito, o Aedes aegypti, e causam sintomas semelhantes.

Cingapura sofreu um salto de casos de dengue este ano, e adotou precauções contra um surto de Zika.

"Todos os países e grandes cidades precisam estar preparados", alertou Sebastian Maurer-Stroh, diretor do programa de doenças infecciosas do Instituto de Bioinformática da A*Star, a agência de pesquisa do setor público de Cingapura.

O novo exame desenvolvido pela equipe de Maurer-Stroh pouparia dois terços do tempo e do custo necessários para se testar os três vírus individualmente, e pode ser utilizado em equipamentos hospitalares padronizados.

Espera-se que o novo exame seja distribuído aos hospitais até o final de março, onde passará por testes finais com vírus reais, caso o Zika chegue a Cingapura.

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