Obama rejeita vigilância especial para muçulmanos como parte da luta contra Estado Islâmico

quarta-feira, 23 de março de 2016 16:42 BRT
 

Por Jeff Mason

BUENOS AIRES (Reuters) - O presidente norte-americano, Barack Obama, disse nesta quarta-feira que os Estados Unidos podem e irão derrotar o Estado Islâmico e rejeitou a ideia apresentada por alguns candidatos presidenciais republicanos de que muçulmanos nos EUA devem ser vigiados de forma especial.

Nos seus comentários mais extensos sobre os ataques de terça-feira em Bruxelas, no qual homens-bomba do Estado Islâmico mataram pelo menos 31 pessoas e deixaram 260 feridos, Obama disse que os EUA estavam oferecendo toda assistência para ajudar a Bélgica a levar os responsáveis à Justiça.

“Nós vamos continuar a ir atrás do Estado Islâmico de forma agressiva até ele ser removido da Síria e removido do Iraque e estiver finalmente destruído", acrescentou Obama. Ele falava numa entrevista à imprensa junto com o presidente da Argentina, Mauricio Macri, durante visita a Buenos Aires.

Prevenir ataques pelos militantes islâmicos é, no entanto, difícil, porque “é complicado encontrar, identificar grupos muito pequenos de pessoas que estão dispostas a morrer e podem se juntar a uma multidão e detonar uma bomba”, declarou ele.

Reagindo aos ataques de Bruxelas, o favorito para se tornar o candidato republicano a presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que traria de volta a tortura e “faria muito mais do que afogamento simulado”. O também pré-candidato republicano Ted Cruz defendeu o aumento da fiscalização policial em áreas com grandes comunidades muçulmanas, e Trump disse que isso era uma boa ideia.

Obama afirmou que uma razão pela qual não tem havido mais ataques nos EUA é que a comunidade muçulmana norte-americana é exitosa, patriótica e integrada.

"Eles não se sentem num gueto”, disse Obama. “Então, qualquer abordagem que os dê um tratamento diferenciado ou os discrimine não é somente errada e antiamericana, mas também não iria ser produtivo pois reduziria a força, os anticorpos que temos para resistir ao terrorismo.”

Obama, que visitou Cuba antes de ir à Argentina, notou que o pai de Cruz havia imigrado para os EUA vindo de Cuba, “um país que se engaja nesse tipo de vigilância por vizinhanças”.   Continuação...

 
Barack Obama concede entrevista ao lado de Macri em Buenos Aires.  23/3/2016.  REUTERS/Carlos Barria