Problemas na produção de petróleo na América Latina devem ajudar a reduzir excedente

sexta-feira, 1 de abril de 2016 11:55 BRT
 

HOUSTON (Reuters) - Do Peru ao Brasil, o surgimento de uma série de paralisações não planejadas em portos e oleodutos e manutenções necessárias em campos de petróleo estão ajudando a reduzir um pouco da sobreoferta global da commodity, em um inesperado alívio para um mercado pressionado.

Mesmo que as interrupções na produção sejam individualmente pequenas, quando somadas representam uma ajuda em um cenário de excedente de petróleo sem precedente, o que levou os estoques a estimados em 1,5 milhão de barris por dia (bpd) no primeiro semestre de 2016.

Embora tenham impacto de curto prazo, esses problemas na produção na América Latina podem ser um presságio de um maior e mais duradouro declínio na produção da região que, por sua dependência de exportações de petróleo, é particularmente vulnerável aos efeitos negativos dos atuais preços da commodity, abaixo de 40 dólares o barril.

"A América Latina está entre as regiões petrolíferas mais vulneráveis neste momento", disse Roberto Campbell, da Energy Aspects. "Nós esperamos uma redução nas exportações de ao menos 100 mil barris por dia no segundo trimestre e possivelmente de até 200 mil bpd ante o mesmo periodo de 2015".

A Venezuela, maior exportador da região que é responsável por cerca de um décimo da oferta global de petróleo, está sofrendo com a venda de seus barris a um preço próximo do custo de produção, além de enfrentar falhas em equipamentos e atrasos em cargas e descargas em seu principal porto voltado ao petróleo.

Em março, as exportações da estatal PDVSA via Venezuela e Curaçao, incluindo petróleo e diluentes reexportados como blends, caíram quase 300 mil bpd ante o ano anterior, para 1,64 milhão de bpd, segundo dados preliminares da Thomson Reuters Trade Flows.

A PDVSA, que diz que suas exportações estão em níveis normais, não respondeu a pedidos de comentário.

A Energy Aspects também prevê declínio na produção em alguns campos do Brasil, o que manteria as exportações estáveis, conforme mais manutenções sejam executadas, após a Petrobras e operadores privados terem adiado esses trabalhos em 2015.

Em países produtores menores na América Latina, nos quais problemas de infraestrutura são frequentes, também surgem preocupações sobre as exportações de petróleo.   Continuação...