Dados climáticos que remontam aos vikings lançam dúvida sobre futuros eventos extremos

quarta-feira, 6 de abril de 2016 15:32 BRT
 

Por Alister Doyle

OSLO (Reuters) - Dados climáticos que remontam ao tempo dos vikings mostram que o regime de chuvas e as secas do século 20 não tiveram nada de excepcional, apesar das suposições de que o aquecimento global iria desencadear mais eventos extremos de clima seco e úmido, mostrou um estudo nesta quarta-feira.

Escritos nos últimos 1.200 anos, relatos climáticos e dados sobre anéis de crescimento de árvores, núcleos de gelo e sedimentos marinhos no hemisfério norte indicaram que as variações de eventos extremos no século 20 foram menos frequentes do que em alguns séculos anteriores.

"Vários outros séculos mostram extremos mais fortes e mais disseminados", disse Fredrik Ljungqvist, da Universidade de Estocolmo e principal autor do estudo, à Reuters, a respeito das descobertas, publicadas no periódico científico Nature. "Não podemos dizer que está mais extremo agora".

Determinar os elos entre o aquecimento global e as chuvas é vital para o planejamento de investimentos de bilhões de dólares em áreas que vão da irrigação à produção de alimentos e à defesa contra inundações em rios.

Ljungqvist afirmou que muitos modelos científicos de mudança climática existentes superestimaram as suposições de que o aumento das temperaturas tornaria regiões secas ainda mais secas e regiões úmidas mais úmidas, com ondas de calor, secas e temporais mais extremos.

O século 10, quando os vikings realizavam ataques por toda a Europa e a dinastia Song assumiu o poder na China, foi o mais úmido já registrado antes do século 20, de acordo com pesquisadores de Suécia, Alemanha, Grécia e Suíça.

Já o quente século 12 e o fresco século 15, por exemplo, foram os mais secos, segundo o relatório, baseado em 196 registros climáticos. As variações nas emissões solares estiveram entre os fatores que provocaram alterações naturais no clima em séculos passados.

Ljungqvist disse, entretanto, que as descobertas não significam que a atual mudança climática, que se atribui às emissões crescentes de gases de efeito estufa produzidos pelo homem, seja uma ameaça menor do que se pensava.

Outros especialistas em clima que não participaram do estudo disseram que ele enfatiza as complexidades na previsão do aquecimento global.