Deputados travam disputa política em sessão para discutir parecer do impeachment

sexta-feira, 8 de abril de 2016 20:34 BRT
 

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - A comissão especial de impeachment iniciou nesta sexta-feira a discussão do parecer sobre admissibilidade da denúncia de crime de responsabilidade contra a presidente Dilma Rousseff, em uma sessão marcada por debates acalorados e enfrentamento político.

A expectativa é que o parecer, redigido pelo deputado Jovair Arantes (PTB-GO), seja discutido até a madrugada do sábado, para que possa ser votado na segunda-feira na comissão. O relatório recebeu elogios da oposição que defende o impeachment e críticas de governistas e de parlamentares que se opõem ao impedimento de Dilma.

Primeiro a se pronunciar sobre o relatório nesta sexta-feira, o deputado Evair de Melo (PV-ES), aproveitou o espaço para criticar o que considerou um ato de “desespero” de Dilma em “terceirizar” seu governo ao convidar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para chefiar a Casa Civil. Melo afirmou que a presidente “se escondeu na sombra do ex-presidente”.

O deputado criticou o argumento de governistas, segundo o qual, não há caracterização de crime de responsabilidade na denúncia apresentada contra Dilma, única condição jurídica que permitiria um processo de impeachment.

“Dizer que não há crime (de responsabilidade) é querer brincar com a honra dos brasileiros”, disse Melo, que aproveitou para anunciar que sua bancada votará a favor do impeachment.

Na mesma linha, o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) classificou o relatório de “sóbrio” e “lúcido”.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) disse que já esperava que o parecer de Jovair recomendasse a admissibilidade da denúncia, como de fato ocorreu, mas apontou “ilegalidades” no relatório, afirmando inclusive que cerceou o direito de defesa ao abordar temas externos ao que foi acatado pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) quando deu seguimento parcial ao pedido de impeachment.

“Com arma ou sem arma, é golpe e é golpe institucional”, disse Jandira. “É mentira que há crime, são mentira as afirmações que foram feitas nesse relatório que mistura questões políticas, matérias estranhas”, afirmou a deputada.   Continuação...

 
Jovair Arantes (D) e Rosso, da comissão de impeachment na Câmara dos Deputados.  6/4/2016. REUTERS/Adriano Machado