Mestre das planilhas de votação, Padilha tem fidelidade como marca

quinta-feira, 12 de maio de 2016 15:30 BRT
 

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Há quase 20 anos, o novo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, podia ser visto nas laterais do plenário da Câmara com algumas dezenas de folhas de papel. Ali, anotado à mão, estava cada voto que cada deputado daria --e raramente o então deputado federal pelo PMDB do Rio Grande do Sul errava.

As planilhas evoluíram do papel para o computador e o tablet, e Padilha, de deputado federal em primeiro mandato para homem forte do partido e ministro da Casa Civil.

Nascido em Canela, na serra gaúcha, Padilha, 70 anos, fundou o PMDB da cidade e nunca mais saiu do partido. De família pobre, foi engraxate, fez faculdade de Direito e começou a ganhar dinheiro com empreendimentos no litoral. Seu primeiro cargo público foi de prefeito de Tramandaí, na época o maior município do litoral gaúcho. De lá, foi eleito pela primeira vez deputado federal.

Casado pela terceira vez, pai de seis filhos --a mais nova, Elena, com pouco mais de 1 ano é o xodó do pai-- Padilha tem hoje um dos maiores escritórios de advocacia do Rio Grande Sul, além de negócios ainda no litoral gaúcho. De menino engraxate e vendedor de verduras, transformou-se em um homem rico e alvo de dezenas de boatos. Até hoje, no entanto, nada pegou no ministro.

Dos homens fortes de Temer, é um dos únicos --além de Moreira Franco-- a não ser sido citado na Lava Jato.

Em 2007, uma investigação da Polícia Federal, a operação Solidária, acusou o ministro de tráfico de influência e fraudes em licitação, mas até hoje não deu em nada.

A habilidade de ler o Congresso e adivinhar para qual o lado a onda vai aproximou Padilha de Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso --de quem foi ministro dos Transportes--, e da própria Dilma Rousseff, enquanto esteve em seu governo.

“A diferença é que ele é uma pessoa que estuda. Ele não faz nada de maneira superficial. E mais do que tudo, ele sabe ouvir”, diz o deputado Alceu Moreira, (PMDB-RS), que herdou de Padilha a base no litoral gaúcho.   Continuação...