COLUNA-Ambição de reforma da Previdência esbarra em eleição municipal

quinta-feira, 19 de maio de 2016 18:00 BRT
 

(O autor é editor-chefe do Serviço Brasileiro da Reuters. As opiniões expressas são do autor do texto)

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO (Reuters) - A chance de qualquer avanço real de uma planejada reforma da Previdência pelo governo interino de Michel Temer é mínima até outubro.

Não é novidade de que se trata do tema estrutural mais relevante dentro de qualquer esforço para se buscar um equilíbrio das deficitárias contas públicas nacionais.

Os ministros de maior confiança de Temer --Eliseu Padilha (Casa Civil), Romero Jucá (Planejamento) e Henrique Meirelles (Fazenda)-- têm falado quase que diariamente sobre a necessidade de se rever as aposentadorias o quanto antes, via aumento da idade mínima e do tempo de contribuição.

Mas a eleição municipal de outubro, aliada a um calendário espremido pelo potencial recesso do Congresso em julho e Olimpíada do Rio em agosto, torna praticamente impossível ter uma reforma da Previdência votada por deputados e senadores nos próximos meses. Até porque, a tramitação de uma matéria tão complexa e impopular como essa demanda muito tempo.

Assunto delicado por envolver direitos adquiridos e expectativas de direitos da população e, portanto, dos eleitores, uma reforma da Previdência antes das eleições colocaria em risco as campanhas do PMDB de Temer como cabeça de chapa ou em alianças nos mais de 5.500 municípios brasileiros.

O PMDB foi o partido que mais elegeu prefeitos nas eleições de 2012, totalizando cerca de 1 mil, e possui ao redor de 800 vice-prefeitos, indicando a força da legenda no plano municipal.

Não há por que imaginar que os peemedebistas estejam dispostos a abrir mão desse poder: o dano à imagem do PMDB, ou qualquer outro partido, no âmbito nacional e, consequentemente, regional com uma reforma da Previdência seria mais administrável, se não menor, passadas as eleições e com o resultado das urnas já sacramentado.   Continuação...