Extrema direita da Europa espera ganhar fôlego com possível saída britânica da UE

sexta-feira, 17 de junho de 2016 11:38 BRT
 

Por Noah Barkin

VIENA (Reuters) - Encorajados pelo aumento do apoio do eleitorado e pelo iminente referendo sobre a permanência da Grã-Bretanha da União Europeia, os principais partidos de extrema direita da Europa prometeram nesta sexta-feira trabalhar para uma "Primavera Patriótica" com o objetivo de anular poderes da UE e deter um influxo de refugiados do Oriente Médio.

Em reunião em Viena que teve como anfitrião Heinz-Christian Strache, cujo Partido da Liberdade (FPO) chegou bem perto de conquistar a Presidência austríaca no mês passado, ele se comprometeu a aprofundar a cooperação entre as legendas que compartilham uma desconfiança profunda dos imigrantes e da integração europeia, mas cujas tendências nacionalistas vinham impedindo uma colaboração estreita.

Strache teve a companhia de Marine Le Pen, líder da Frente Nacional Francesa, e de políticos do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) e da Liga Norte italiana. Eles expressaram a esperança de que o referendo britânico de 23 de junho dê ímpeto à sua causa.

"Eu apoio o referendo na Grã-Bretanha porque quero que todos os países da UE tenham esta escolha", disse Marine em uma coletiva de imprensa no edifício do parlamento da Áustria. "Mas mesmo que não tenhamos o Brexit (a desfiliação britânica da UE), isso irá criar um problema novo e imenso para a União Europeia, que prometeu dar direitos especiais à Grã-Bretanha, que outros países não têm, se ela permanecer. Isso poderia ser o começo de uma Europa à la carte".

Marine e os outros se sentaram atrás de um pôster com a imagem de uma gigantesca águia de cabeça branca e as palavras "Primavera Patriótica – Cooperação para a Paz, a Segurança e a Prosperidade na Europa".

Partidos populistas e anti-imigração estão em ascendência em toda a região, já que o alto desemprego e a austeridade fiscal, a chegada de centenas de milhares de refugiados e os ataques recentes de militantes na França e na Bélgica estão erodindo as lealdades dos eleitores.

Esse clima se espelha nos Estados Unidos, onde Donald Trump deixou o establishment político atordoado derrotando seus rivais na disputa pela indicação do Partido Republicano com uma retórica que vem sendo vista por muitas pessoas como racista e conflituosa.